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Design
sobrevive ao tempo
Modelos
antigos ainda inspiram os carros de hoje. Colecionadores e endinheirados
adoram
Fernando
Neves
Saudade
é uma palavra que, dizem, só existe na língua
portuguesa. No entanto, o sentido dela é universal e pode
ser provocado por qualquer coisa, inclusive por carros. Atenta ao
fascínio que o automóvel provoca nas pessoas, a indústria
automobilística mundial desenvolve carros inspirados nos
sucessos do passado. Algumas vezes são apenas referências,
como lanternas ou grades dianteiras, em outras a ousadia é
maior e o resultado são cópias atualizadas e releituras
de estilo. O sócio-diretor da consultoria Integral, Giuliano
Caloi, explica que adotar um estilo nostálgico tem uma razão
de mercado: os nichos. Nenhum desses veículos se destina
ao grande público, diz. Segundo Caloi, o alvo são
pessoas com muito dinheiro e que buscam um carro diferente dos demais,
de preferência com apelo sentimental. Assim, explorar a saudade
das pessoas com relação a épocas passadas,
como os anos dourados (década de 50), é um instrumento
forte de vendas. Ele fala com conhecimento de causa. Caloi foi o
gerente responsável pelo relançamento do Fusca em
1995. O entusiasmo das pessoas era muito maior do que o esperado,
recorda. Engenheiros e técnicos de outros países
estiveram por aqui fazendo perguntas sobre o carro, lembra.
Embalada na aceitação mundial do carrinho, a Volkswagen
reestilizou o veículo, lançando com o nome de New
Beetle, ao preço de R$ 46,5 mil, um preço que em nada
lembra o do velho Fusca.
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Nostalgia.
Por isso, foi com indisfarçável orgulho que Richard
Wagoner, CEO da General Motors, anunciou há duas semanas
que a empresa vai produzir o Chevrolet SSR. O carro é um
fora-de-estrada que lembra as picapes fabricadas nos Estados Unidos
nos anos 40 e 50. O próprio Wagoner muito provavelmente deve
ter começado a dirigir num desses modelos, que povoam o imaginário
americano até hoje. Com certeza, será mais um carro
de produção pequena e preço elevado. Essa viagem
nostálgica também foi percorrida por outros gigantes
do setor, como a Ford com seu imortal Thunderbird. Depois de várias
atualizações e mudanças de estilo, a montadora
de Dearborn optou no ano passado por um desenho dos anos 50. Do
outro lado do oceano Atlântico, os alemães da BMW seguiram
um caminho semelhante. O esportivo Z7 nasceu à imagem e semelhança
do modelo 507. Um ponto une os carros que foram desenhados com estilo
antigo: o luxo. Os modelos podem ter um aspecto clássico
por fora mas por dentro esbanjam tecnologia e itens de série
dignos dos melhores automóveis top de linha. Ar-condicionado
controlado por computador, estofamento em couro e sistemas de áudio
são alguns deles. Afinal, nostalgia sim, mas com conforto.
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