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| GASTÃO
VIDIGAL: preço do banco cai um pouco mais a cada negociação
fracassada para a venda |
Pior
que a poupança
Mercantil aumenta os créditos, mas dá lucro pífio
Marcelo
Aguiar
O que
é mais lucrativo, ser banqueiro ou ter o dinheiro aplicado
em uma caderneta de poupança? A resposta parece óbvia,
mas não é. Se o banco em questão for o velho
Mercantil de São Paulo, de Gastão Vidigal, a opção
mais rentável pode ser a caderneta. Foi assim, pelo menos,
no primeiro semestre deste ano: enquanto qualquer aposentado teve
ao seu alcance um rendimento de 4,35%, se foi conservador e apenas
deixou o dinheiro parado na poupança, o banco de Vidigal,
um dos mais tradicionais do País, rendeu a ele apenas 4,1%.
O resultado líquido acumulado até junho, de R$ 50
milhões, foi baixíssimo para uma instituição
que tem um capital total de R$ 1,14 bilhão. Lucros altos
nunca foram mesmo o forte do Mercantil, mais dedicado a preservar
o próprio patrimônio. Mas um resultado tão magro
não aparece em seus demonstrativos desde o já longínquo
ano de 1994, quando o Real virou a economia de cabeça para
baixo.
Enquanto
gigantes do porte de Bradesco, Itaú e Unibanco mostraram
retorno anualizado de 15% para cima, o Mercantil patinou em uma
taxa de 8,3% ao ano. A disparidade entre os números tímidos
do banco e as altas taxas de lucratividade e crescimento das demais
instituições acaba enfraquecendo a posição
do Mercantil no mercado. Assediado desde o início do ano
por todos os grandes bancos de rede do País, candidatos a
comprar sua instituição, Vidigal aceitou conversar,
mas fez questão de dar a entender que não está
pressionado para vender: queria negociar inicialmente apenas uma
parcela do capital e depois mostrou-se duro na definição
do preço. Fiava-se na carteira de 500 mil clientes
a maior parte de classe média e no Estado de São Paulo
, na boa qualidade dos créditos concedidos e na alta
capitalização do banco.
O
valor disso tudo, porém, vai sendo erodido à medida
em que os concorrentes crescem mais, ganham maior participação
de mercado e cortam custos com o ganho de escala. Um Aloysio
Faria já teria vendido o banco há uns dez anos,
diz um conhecedor do Mercantil. Os candidatos à compra sabem
disso e tentam usar o tempo a favor. Quem esteve mais próximo
de um acordo nas últimas semanas foi o BBVA, que, concentrado
na Bahia, vê no Mercantil uma porta de entrada para o rico
mercado de São Paulo. A conversa emperrou no preço
e os espanhóis ameaçaram retomar as negociações
somente quando o tempo forçasse o banqueiro a ser mais modesto.
Daqui a dois anos conversamos de novo, disseram. Um
outro candidato à compra foi mais explícito. A
marca está se deteriorando, disse ele.
A
perda de valor lenta e constante do banco já provocou uma
mudança interna antes impensável para a cultura da
instituição: a carteira de crédito, estacionada
desde o início de 1997 em R$ 2,7 bilhões, deu um salto
de 23% em um ano e chegou a R$ 3,4 bilhões no balanço
de junho. Com a queda dos juros, porém, isso não foi
suficiente para melhorar a lucratividade do grupo. Quem mais cresceu
foi a Finasa, a financeira do banco, dona da placa mais forte do
grupo no mercado. Eles já estão cientes de que
o banco precisa crescer para sobreviver e se adequar ao mercado,
relata um executivo.
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