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FINANÇAS/ FUNDOS
dave harrison/bloomberg news/foto montagem galismarte

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Estudo mostra que fundos de ações, com sorte, empatam com Ibovespa

Ernesto Bernardes

O bom-senso diz que, na hora de escolher um fundo de ações, o principal critério a ser adotado é a sua probabilidade de um bom retorno. Por isso, quando seleciona onde aplicará o seu dinheiro, o investidor cuidadoso se debruça sobre montanhas de prospectos, analisa a lucratividade de dezenas de fundos ao longo de meses, checa o perfil dos gestores e confere o quanto eles estão cobrando a título de taxa de administração e de performance. Segundo um estudo feito pelo Deutsche Bank, porém, tanto esforço pode ser inútil. Os economistas do banco alemão compararam todos os fundos ativos do Brasil para os quais havia histórico de pelo menos um ano, desde 1993, e chegaram à conclusão de que eles raramente conseguem ultrapassar o Ibovespa, índice formado pelas ações mais negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo. Como fundos ativos são, por definição, aqueles que tentam superar um determinado índice – e o Ibovespa é o mais usado no Brasil – o resultado é uma decepção estrondosa. Para a maioria dos fundos, o empate é o melhor resultado.

A pesquisa mostrou que, a cada ano, apenas um terço dos fundos ativos consegue resultado superior ao do Ibovespa. Ao longo dos últimos sete anos, a média desse grupo só superou o índice da bolsa paulista nos períodos em que ela teve rentabilidade negativa. Pior, somente 5% dos fundos que têm mais de dois anos de histórico bateram consistentemente o índice ao qual deveriam ser comparados. Mesmo entre os aparentemente bem-sucedidos, parece haver um problema generalizado de falta de fôlego. Durante o primeiro ano de histórico, 37% dos fundos conseguem um resultado superior ao objetivo. No segundo ano, esse número cai um pouco (33%). No terceiro ano de registro, porém, nenhum dos fundos consegue ultrapassar o Ibovespa. O estudo aponta uma melhora no quarto ano de histórico (8% ganham do índice) e, do quinto ao sétimo ano, nenhum consegue fazer a ultrapassagem.

“Os administradores dos fundos ativos não conseguem manter a consistência ao longo do tempo”, conclui David Gotlib, o diretor executivo da área de gestão de recursos do Deutsche Bank. Isso implica que, para conseguir superar o Ibovespa, os investidores teriam de seguir trocando de um fundo para o outro, sempre acertando ao escolher o que, nas próximas semanas, superaria o parâmetro de comparação. O problema é que analisar portfólios e investir da melhor forma possível é justamente a função que os gestores de fundos deveriam cumprir. Gotlib lembra de pesquisas feitas nos Estados Unidos, que mostraram que os fundos passivos, aqueles que buscam apenas replicar os índices oficiais, muitas vezes terminam se saindo melhor que os ativos. “Esse mercado, lá, é muito mais desenvolvido que o nosso”, observa Gotlib, que oferece no Deutsche os dois tipos de produtos.

O economista Roberto Zentgraf, do Ibmec, que já fez estudos comparativos sobre fundos, observa que, como regra geral, os passivos costumam ser bons negócios quando a bolsa está em alta. Justamente quando é mais difícil ultrapassar o resultado global. Mas os ativos podem ser mais interessantes quando o mercado está em baixa, ou então extremamente volátil, alternando saltos e quedas. “Entre janeiro e junho de 1997 o índice da Bolsa de São Paulo subiu 100%. Quem simplesmente repetiu o índice se deu muito bem”, exemplifica. O diretor de renda variável do BankBoston, Júlio Ziegelmann, observa que a comparação com o Ibovespa nem sempre é adequada. No ano passado, por exemplo, a Lightpar provocou altas imensas no índice, embora não devesse sequer estar ali. “Quando se analisava o Ibovespa sem esse papel, que não era representativo, vários fundos o superavam”. Além disso, observa ele, neste ano uma grande quantidade de fundos está se saindo melhor que o Ibovespa. A discussão tem tudo para dar pano para manga. A indústria de fundos passivos, por enquanto, ainda é incipiente por aqui. No início de julho, eles somavam no País apenas R$ 1,12 bilhão de patrimônio, contra R$ 4,9 bilhões dos ativos. Nos Estados Unidos, somente a Vanguard, administradora que se dedica exclusivamente a fundos passivos, tem patrimônio de US$ 560 bilhões.

 

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