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| COPENE:
Exportações correm risco de desabar |
Queda
de braço pela Nafta
Petrobras tem
preço que centrais não aceitam
Marco
Damiani
Uma
conta de multiplicar iniciada com US$ 15,50 está na raiz
da mais nova crise entre o setor petroquímico e a Petrobras.
Este é o valor que a estatal julga adequado acrescentar,
no momento da venda às três centrais petroquímicas
brasileiras, aos US$ 260 por tonelada de nafta que costuma pagar
nos portos do chamado circuito ARA (Amsterdã-Roterdã-Antuérpia),
onde o líquido é oferecido. Acrescida de despesas
de internação, a principal matéria-prima das
centrais está sendo vendida nas últimas semanas a
US$ 294 por tonelada.
Para
uma central como a Copene, de Camaçari, na Bahia, a diferença
de valores representa um aumento de custo anual de cerca de US$
60 milhões. Exportamos US$ 200 milhões no primeiro
semestre, diz João Carlos Feijó, vice-presidente
da OPP Petroquímica. Com este preço para a nafta,
não conseguiremos exportar mais nada.
Até
o final de junho a Petrobras detinha o monopólio da venda
da nafta, mas nem mesmo as recentes liberações pela
Agência Nacional do Petróleo (ANP) para a importação
do produto acalmaram o setor. O monopólio de fato continua,
resumiu Jean Peters, diretor da Union Carbide e presidente do Sindicato
das Indústria de Resinas Plásticas de São Paulo,
referindo-se ao fato de a Petrobras ser dona de todos os dutos capazes
de conduzir a nafta no País. A procuradora-geral da ANP,
Sônia Argel, diz que se a discussão prosseguir o órgão
pode arbitrar o preço. A divergência é
normal, mas se houver pedido das centrais podemos interferir,
assinala. Anormal, alegam executivos do setor, é a Petrobras
adotar três preços diferentes para a mesma nafta: no
Brasil, mais caro que o mercado internacional; na Argentina, para
o pólo de Baia Blanca, igual à referência ARA;
e 7,5% mais barato que o preço internacional, segundo informações
que circulam no setor, para o pólo que vai sendo planejado
para o Rio de Janeiro. A assessoria de comunicação
da Petrobras informou que a empresa não comenta o assunto
por enquanto.
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