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ECONOMIA

A secretária de Estado americana mostrou a FHC nova postura sobre a Alca

O alvo é Chávez
Preocupação com a Venezuela sobrepôs-se à agenda comercial de Albrigth no Brasil

Expedito Filho

A secretária de Estado americana, Madeleine Albrigth, desembarcou em Brasília, na terça-feira 15, com o sutil propósito de convencer o presidente Fernando Henrique Cardoso a participar de um cerco político contra a Venezuela. Nada foi exposto claramente, mas as mensagens foram claras. Os Estados Unidos não gostaram da visita que o presidente venezuelano Hugo Chávez fez ao presidente do Iraque, Sadam Hussein, há duas semanas. “Hussein é um pária internacional e a secretária Albrigth condenou a visita”, disse um diplomata que participou do encontro, regado apenas a água e cafezinho. Foi uma conversa ao estilo Albrigth: seca, sem floreios. “Causou espanto a viagem de Chávez aos países da Opep”, informou a secretária. Fernando Henrique, que não morre de simpatias pelo presidente-coronel, a quem considera um populista, respondeu que o Brasil manteria em relação à Venezuela a postura histórica de não-intervenção. A determinação de Albrigth era tamanha que o vasto contencioso comercial entre os dois países , tema tradicional das conversas bilaterais, ficou em segundo plano.

Entre as mudanças reveladas pela secretária americana nesta viagem, a primeiríssima foi de postura. O excesso de pressa com que o governo de Washington imagina o Mercosul integrado à Alca foi deixado de lado. “A integração `a Alca é um processo ainda em negociação”, admitiu a secretária, durante a conversa. Fernando Henrique proferiu, em contrapartida, uma típica frase tucana de seu repertório. “O Mercosul não é contra a Alca, como também não vemos a Alca como uma ameaça ao Mercosul.” No bico, estava a revelação de uma intenção. Apesar do Nafta, bloco econômico que reúne México, Estados Unidos e Canadá, o governo informou que vai intensificar o comércio bilateral com o México. Longe dos negócios, outras duas preocupações também fizeram parte da pauta da conversa entre os dois países. A primeira foi a questão da fragilidade democrática do Peru, que elegeu o ex-ditador Alberto Fujimori para um terceiro mandato numa eleição contestada. A outra reforçou a necessidade americana de controlar o narcotráfico na Colômbia. A secretária informou que o governo americano está acompanhando de perto a situação dos dois países. E conta com o apoio do Brasil, tratado com status de líder continental, durante todo a visita.

Madeleine Albrigth permaneceu em Brasília durante cinco horas. A visita começou pelo Palácio do Planalto, onde chegou às 12 horas para uma conversa de 45 minutos. Logo em seguida, reuniu-se com seus assessores para uma conversa de trabalho com o ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia. Foi uma extensão do já exposto ao presidente Fernando Henrique. A secretária trouxe um convite de Clinton para que FHC participasse de mais um novo encontro dos chefes de Estado da chamada terceira via, que se realizará no dia 7 setembro nos Estados Unidos. O presidente recusou lembrando que teria que permanecer no Brasil. Ainda no quesito de troca de gentilezas, a representante americana reproduziu elogios de Clinton a FHC, ressalvando que, como resultado da amizade entre os dois presidentes, nunca os dois países estiveram tão próximos. A secretária americana visitou, ainda, os presidentes da Argentina, Chile e Bolívia, levando a mensagem americana de isolamento do presidente Hugo Chávez. Resta saber quanto a viagem foi produtiva. Dificilmente os países sul-americanos se dobrarão a uma secretária americana com apenas quatro meses de mandato.

 

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