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-COMMERCE
Manoel Marques
TCÊ resiste com preços baixos
Empresa brasileira já colocou no mercado 5 milhões de equipamentos com a sua marca e faturou R$ 135 milhões em 1999

Lino Rodrigues

Há seis anos, a brasileira TCÊ anda na contramão do mercado. Brigando com gigantes da indústria mundial de informática e de telecomunicações, a pequena fábrica de 5 mil metros quadrados na Zona Franca de Manaus vem resistindo ao processo de desnacionalização do setor. Apesar da maré contrária, ela já despejou no mercado brasileiro 5 milhões de aparelhos com a sua marca. São monitores para computadores, scanners, fax, webcâmeras, máquinas fotográficas digitais, telefones sem fio, calculadoras, copiadoras e agendas eletrônicas. Mais de 40 itens. A concorrência torce o nariz e aponta o preço baixo como responsável pelo sucesso, além da qualidade duvidosa dos equipamentos. “Adequamos o preço ao bolso do brasileiro”, defende Vittorio Danesi, sócio fundador e diretor-superintendente da companhia. A estratégia tem dado resultado. Tanto que o faturamento da TCÊ tem crescido todos os anos, apesar dos tropeços da economia brasileira. Em 1995, o primeiro ano da empresa, as vendas bateram nos R$ 38 milhões. Em 1998, ano de crise cambial, foram R$ 105 milhões. No ano passado, chegou a R$ 135 milhões. Para este ano, a previsão é de saltar para R$ 260 milhões.

Mágica? Não. “Agilidade em descobrir novos produtos que podem ser montados no Brasil com qualidade e preço baixo”, garante Danesi. Outro componente da receita: não depender exclusivamente de um único negócio. “Não colocamos os ovos em uma mesma cesta”. Para isso, a empresa foi dividida em três unidades de negócios distintas – informática, automação de escritórios e telecomunicações –, e mantém um grupo de funcionários de olho nas novidades lançadas em feiras internacionais e nos países conhecidos asiáticos. É de lá, por exemplo, que vieram os campeões de vendas da empresa – scanners e monitores. Este último responde por 50% do faturamento. Já os scanners lideram o mercado, com 40% de participação, deixando para trás marcas famosas como HP, Epson e Xerox. A empresa guarda a sete chaves os nomes dos parceiros tecnológicos envolvido na fabricação dos equipamentos.

Agora, a companhia está apostando em equipamentos que têm grande potencial de vendas entre internautas e tecnófilos, como aparelhos para reproduzir músicas apanhadas na Internet – o chamado MP3 – e as câmeras que podem ser acopladas ao computador, conhecidas como webcam. Até o final do ano, deve chegar ao mercado um novo aparelho para acesso à rede. Mantido em segredo, esse produto será a arma da companhia para disputar no segmento de aparelhos não PC com conexão à Internet. Com preço abaixo dos concorrentes, claro.

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