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NEGÓCIOS
ADELAIDE: Faturamento de R$ 43 milhões e vendas para Europa e EUA

De porta em porta...
Ex-vendedora de cosméticos transforma a Hinode na quarta marca do País

Juliana Almeida

Quando eu estiver ganhando três vezes o seu salário, você vem trabalhar comigo.” O metalúrgico Francisco Rodrigues não levou muito a sério o desafio da mulher Adelaide. Ex-vendedora de cosméticos da extinta empresa Brazilian Way, ela estava apenas começando um negócio próprio, aproveitando sua larga experiência no comércio porta-a-porta. A sorte estava lançada e, em menos de um ano, Francisco teve de dar baixa em sua carteira na metalúrgica Bardella para entrar no mundo da beleza, associando-se a Adelaide na empresa Hinode. Hoje, o casal gerencia um faturamento de R$ 43 milhões, administra um exército de 70 mil vendedoras, e possui representantes em Portugal e na Espanha. Adelaide voou alto. No momento, acerta os últimos detalhes para colocar seus produtos na África, EUA e Japão. As vendas externas respondem por 20% da receita da empresa. A linha de maior aceitação no Exterior é a Notaris, à base de frutas da Amazônia, como pequi, castanha do Pará e cupuaçu. “É muito gratificante divulgar meu produto pelo mundo”, diz a dona da Hinode.

Tudo começou há 12 anos, com a família embalando na garagem de casa os produtos comprados de pequenas fábricas. O casal tinha a ajuda do filho Sandro e de mais dois parentes. O primeiro passo para transformar artesanato em indústria foi dado em 1990 com a compra da CAC, uma pequena fábrica na zona norte da capital paulista. A empresa estava quebrada financeiramente mas com o maquinário em bom estado. Dez anos depois, as instalações da CAC tornaram-se insuficientes e a empresa de Adelaide mudou-se para Alphaville, na Grande São Paulo. Hoje, a fábrica tem capacidade para envasar 10,8 milhões de frascos de cosméticos por ano.

Da velha rotina artesanal, nada restou. Hoje, os executivos da empresa – ela, o marido e os filhos – dividem seu tempo entre viagens internacionais, reuniões com equipes de vendas e supervisão dos negócios. A dona da Hinode adotou uma receita simples para crescer: pagar mais ao time de vendedoras, aumentando o desconto na compra de produtos. Enquanto Avon e Natura oferecem aos representantes uma redução de 30% no preço de catálogo, a Hinode trabalha com 50%. Assim, a empresa conquistou o quarto lugar em um mercado que movimenta R$ 4,7 bilhões ao ano no Brasil. Está muito longe das cifras das gigantes Avon e Natura, mas isso não intimida Adelaide e sua família. “Construir uma marca de prestígio leva tempo. A Natura é a mais nova do setor e tem 30 anos”, explica o filho Sandro.

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