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IMAGEM:
Prestígio abre portas para o banco
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Invasão
Ianque
Economista deixa NY após lançar o BBA no mercado de capitais internacional
Marcelo
Aguiar, Laura Somoggi e Fabiana Godoy
Os
ianques estão chegando. Três pesos pesados do mercado
financeiro americano estão de malas prontas para desembarcar
no Brasil nos próximos meses. A Goldman Sachs vai transformar
seu escritório de representação no País
em um banco múltiplo. A Fidelity, gigante da gestão
de fundos de investimentos, e a Charles Schwab, a maior corretora
on-line do planeta, também estão de passaporte carimbado.
As três vinham ameaçando o desembarque há algum
tempo. Finalmente, lançaram as âncoras. Os bancos
internacionais vão para onde estão indo as empresas.
Não chegaram antes porque a crise havia posto muitos projetos
na geladeira, explica o ex-presidente do Banco Central, Gustavo
Loyola.
GOLDMAN
SACHS
O
único dos grandes bancos de investimento americanos ainda
sem filial no Brasil entregou ao Banco Central, na terça-feira
8, o pedido de abertura de um banco múltiplo. A direção
do BC já foi consultada informalmente, e concordou. A Goldman
terá uma carteira de investimentos e uma comercial, que servirá
de apoio. Com ela, oferecerá crédito a empresas que
precisem de financiamento para fechar negócios grandes. Na
prática, será uma cópia em escala reduzida
da matriz. A placa do banco, conhecida no País na área
de captação de recursos, deverá se estender
para fusões e aquisições, tesouraria e gestão
de recursos.
É
a terceira tentativa da Goldman Sachs de entrar no Brasil. Chegou
muito perto, em 1998, de comprar o Garantia que era então
o maior banco de investimento brasileiro, mas estava com o prestígio
seriamente abalado pelo tombo sofrido na crise da Ásia. A
memória fresca dos prejuízos do Garantia acabou melando
o negócio. Clientes da Goldman fizeram saber que não
gostariam de trabalhar com gente que corria riscos tão grandes.
A entrada no mercado quase aconteceu, pouco depois, em parceria
com o empresário Edson Vaz Musa, um especialista em empresas
problemáticas. Ele e o banco seriam sócios na compra
de créditos em liquidação de bancos comerciais,
para depois tentar recuperá-los. O acordo não saiu
por divergências na formação da sociedade. O
banco, porém, é bem-sucedido nesse negócio
no México e quer trazer a atividade para o Brasil.
FIDELITY
A
maior empresa de administração de recursos dos Estados
Unidos também está desembarcando por aqui. Em setembro
será aberto o escritório da Fidelity Investimentos
do Brasil. O objetivo é sentir a temperatura da água
por aqui. No seu comando, o coreano naturalizado brasileiro Ung
Kim terá como missão analisar o potencial do mercado
e identificar oportunidades para distribuir produtos para clientes
locais. Queremos estar familiarizados com as regras,
diz Fernando Sanchez-Alcazar, vice-presidente da Fidelity Investments
Institutional Services Company na América Latina. Só
assim poderemos identificar as necessidades e nos prepararmos para
distribuir nossos fundos.
Mas
não espere encontrar lojinhas Fidelity pipocando pelas ruas.
Quem chega aqui é a FIIS, o braço que vende produtos
financeiros através de outras instituições.
Criada em 1979, ela oferece mais de 4.200 fundos para bancos, seguradoras
e corretoras, além de administradores de fundações
de previdência. Essa é apenas uma das operações
da empresa que administra mais de US$ 950 bilhões em ativos.
A Fidelity irá oferecer fundos com portfólio global,
porque acha que não faz sentido vender produtos semelhantes
aos que já estão disponíveis no País.
A
Fidelity não tem pressa. Suas operações na
América Latina começaram em 1997. Hoje eles atuam
no Chile e na Argentina. Temos de nos adaptar às diferentes
situações. Respeitamos a cultura e a regulamentação
de cada país, diz Alcazar. Não temos dúvida
de que o Brasil é o mercado mais importante do continente,
diz Alcazar. Ele observa que nossos fundos de pensão, por
exemplo, têm o dobro do tamanho dos do Chile, que já
têm uma história de 18 anos.
SCHWAB
A
Charles Schwab, maior corretora on-line do mundo com US$ 931 bilhões
em ativos e 7,2 milhões de clientes, decidiu entrar discretamente
no Brasil. Vamos colocar um representante aí para desenvolver
a marca, conhecer as necessidades do público, estudar o mercado
e aí sim, desenvolver uma estratégia, revelou
à DINHEIRO o diretor-executivo para o Brasil, Luiz Souto-Maior.
Schwab abriu na semana passada um escritório em São
Paulo, a cargo de Fábio Kerr Alcântara, ex-Unibanco,
ING e Citibank. A princípio, a Schwab brasileira primeiro
escritório na América Latina terá uma
estrutura enxuta se comparada às outras 365 filiais da corretora.
Alcântara terá a missão de assessorar os clientes
brasileiros boa parte dos 12 mil investidores latino-americanos
da corretora.
Para
fincar sua bandeira, seis funcionários da Schwab americana
passaram os últimos dois anos preparando o desembarque. A
América Latina é quase o nosso foco principal hoje,
e o Brasil é o mercado que cresce mais rápido,
diz Souto. A empresa é cautelosa ao anunciar seus próximos
lances. Como os clientes da Schwab precisam ter no mínimo
US$ 10 mil em conta, a corretora pode bater de frente com os private
bankings. Mas não queremos ser tão exclusivos,
diz Souto.
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