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E SEMELHANÇA: Bill e Genghis, bons de marketing e temidos
pela concorrência |
Muita
coisa em comum
Livro mostra que, de Genghis Khan a Bill Gates, supermagnatas sempre
foram muito parecidos
Ernesto
Bernardes
Uma
velha piada do mercado editorial dizia que, com a moda dos livros
de gestão, logo alguém publicaria algo com o título
Administrando com Genghis Khan. Pois esse livro acaba
de sair, e é excelente. Escrito por Cynthia Crossen, editora
sênior do The Wall Street Journal, ele esmiuça as biografias
de dez magnatas de várias épocas, explicando o que
Bill Gates e o conquistador mongol têm em comum, qual a semelhança
entre a Nasdaq e o mercado de futuros de tulipas, no século
17, e onde está o parentesco entre a Companhia das Índias
e a bolha da Internet. The Rich, and how they got that way
(Os Ricos, e como eles se tornaram o que são) é um
livro fascinante e assustador. Dele se conclui que, de Machmud de
Ghazni, um mercador afegão do século 11, a Hetty Green,
a grande especuladora de Wall Street do começo do século,
os ricaços têm um perfil muito semelhante. E a história,
para o bem e para o mal, se repete com semelhança assustadora.
Os
muito ricos são diferentes das pessoas comuns, mas muito
semelhantes entre eles. O livro conta como, ao longo dos tempos,
os acumuladores de fortunas têm a sorte ou o brilhantismo
de descobrir maneiras inéditas de ganhar dinheiro. Se Bill
Gates anteviu a mina de ouro de vender sistemas operacionais para
computador, Genghis Khan percebeu que ganharia mais cobrando impostos
das terras conquistadas, em lugar de simplesmente matar os habitantes
e roubar o ouro. Diferente do que diz a lenda, Khan só executava
os adversários se fosse inevitável (quando mandou
cozinhar vivos um grupo de inimigos, foi apenas para evitar que
suas almas voltassem para assombrá-lo).
Os
milionários possuem em comum muitos traços de estilo.
São obsessivos e workaholics como Hetty Green, que guardava
suas roupas e às vezes dormia em sua sala no Chemical Bank,
onde fazia negócios. Ou Richard Arkwright, dono dos primeiros
moinhos mecanizados, que trabalhava quinze horas por dia mesmo depois
de se tornar o homem mais rico da Inglaterra. E são bons
de marketing, como Genghis Khan, que se aproveitava da fama de mau
para conquistar cidades sem precisar usar a força. Não
é de hoje que exercem o direito à excentricidade:
o afegão Machmud possuía uma coroa de ouro tão
pesada que tinha de ser suspensa sobre sua cabeça por uma
corrente. Doris Duke, herdeira de uma fortuna do tabaco, fazia festas
para seu camelo de estimação.
O
que mais surpreende, porém, é como as práticas
empresariais se mantém ao longo do tempo. No século
18, o especulador John Law criou a Companhia das Índias,
destinada a colonizar o Mississipi. Suas ações logo
se tornaram os papéis mais negociados da Europa. Mentindo
sobre o desempenho da empresa e apresentando previsões irreais
de crescimento, fez com que elas se valorizassem mais de vinte vezes
em semanas. Virou o homem mais rico do mundo, foi promovido a ministro
das finanças e causou tamanho furor especulativo que nobres
vinham de toda a Europa para comprar ações, fazendo
fila durante horas diante da companhia. Na rua, corcundas alugavam
suas costas para servir de escrivaninha, donos de casas vizinhas
alugavam suas salas para quem aguardava o atendimento. Quando os
especuladores perceberam que se tratava de uma bolha, passaram a
vender ações em massa. Um deles decidiu realizar lucro,
levou pilhas de ações à empresa e exigiu pagamento
em ouro. Saiu com três carroças cheias. Quando tudo
veio abaixo, Law fugiu do país e o governo sócio
da companhia teve de baixar um confisco da moeda para impedir
o povo de trocar as ações por dinheiro.
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