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TRÊS
POSIÇÕES:O carimbo dá mercado a Regina,
da Exímia; Cortopassi e Mariante apuram denúncias
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O
que é ISO, companheiro?
Certificadoras
de qualidade são denunciadas por prática ileg al e entram na mira
do Inmetro
Cláudia
Marques
No
pobre subúrbio carioca de O ISO, quem diria, não é
mais aquele. O certificado mundial de qualidade mais cobiçado
por empresários brasileiros está por toda a parte
e sofre no momento os efeitos negativos do gigantismo. Entre carimbadas
distribuídas a favor de empresas de segurança, imobiliárias
e até cemitérios, as 22 certificadoras em atuação
no País emitiram, nos últimos 10 anos, mais de 5 mil
diplomas de excelência ISO 9000 destinados a 1.630 companhias
diferentes. O Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro), órgão
do governo federal encarregado de fiscalizar as certificadoras,
investiga denúncias de que alguns desses centros de controle
de qualidade perderam a própria excelência.
Já
há duas certificadoras na mira do Inmetro. A americana Perry
Johnson é uma delas. Concorrentes fizeram denúncia
anônima segundo a qual a empresa oferece, simultaneamente,
serviços de consultoria e auditoria para as firmas interessadas
em obter selos de qualidade. Perry Johnson são, na
verdade, duas empresas, defende o gerente comercial da companhia,
Marcelo Catapani. Existe a Perry certificadora e a Perry consultoria,
alega. A mesma suspeita de haver certificadoras exercendo o duplo
papel de dar conselhos e fazer exigências recai sobre a suíça
Bureau Véritas. Há duas empresas, que trabalham
separadamente e não trocam informações,
garante João Carlos Oliveira, assessor de comunicação
da Bureau Véritas. Já encontramos inconformidades
em empresas aos quais havíamos prestado consultoria.
Neste
cenário confuso é natural que se acumulem suspeitas
de relaxamento nas exigências. Os números cada vez
mais crescentes de expedição de certificados ISO 9000,
aqueles endereçados à excelente gestão de qualidade,
apóiam essa desconfiança. Em 1989, primeiro ano de
utilização no Brasil, o ISO 9000 foi entregue 18 vezes.
Dez anos depois, 1.573 exemplares do mesmo documento foram distribuídos.O
número de empresas beneficiadas é maior do que a soma
alcançada em oito países latino-americanos (leia quadro
abaixo).
Possuir
o ISO 9000 não é mais um diferencial no mercado,
reconhece Verner Dittmer, diretor geral da Siemens, a primeira empresa
brasileira a merecer o certificado na área de produção
industrial. Hoje, é preciso ter outras certificações.
Nossos planos visam o Prêmio Nacional de Qualidade (PNQ),
que é mais severo que o ISO.
O
brasileiro que foi eleito presidente mundial da ISO International
Organization Standardization, empresa com sede na Suíça,
fundada em 1947 , está atento aos ecos de descontentamento.
É hora de repensar e modernizar nossas normas,
admite Mário Cortopassi. Ele assume o posto somente em julho
de 2001, mas já está em campo. Na semana passada,
Cortopassi foi à reunião convocada pelo Inmetro, no
Rio, com representantes de certificadoras. Precisamos acertar
nossos ponteiros, disse à DINHEIRO Armando Mariante,
presidente do órgão. Tomaremos medidas drásticas
contra as certificadoras incoerentes. Se as denúncias forem
comprovadas, faremos descredenciamentos. Cortopassi, da ISO,
está de acordo. O Inmetro deve tomar todas as providências
necessárias para resolver os problemas existentes,
afirma ele.
O
inferno astral do ISO atingiu o auge no sábado 22 de julho,
quando uma empresa que possuía o selo 14001, de excelência
em gestão ambiental, provocou o maior vazamento de óleo
em rios já visto no País: a Refinaria Presidente Getúlio
Vargas, da Petrobras, no Paraná. A certificação
não evita que acidentes aconteçam, julga Rui
Fonseca, gerente-geral de segurança e meio ambiente da companhia.
Sem o ISO, teria sido pior. Pela frente há questões
mais prosaicas. A empresa de etiquetas Gomacol, de Guarulhos, desistiu
de concorrer ao ISO quando seu diretor Newton Moura fez as contas.
Custaria 12 mil reais, fora investimentos em modernização,
conta ele. Desisti. A empresa Exímia, de recursos
humanos, não teve escolha. Perdi uma concorrência
por não ter o ISO 9002", lembra Regina Patrício,
diretora da empresa. Ou tirávamos o certificado, ou
estaríamos sempre fora das concorrências.
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