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ENCONTRO
DE LÍDERES NO ALVORADA: O maior também quer ser o melhor
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O
presidente eleito do México encanta empre sários e abre disputa
pela liderança continental
ESTELA
CAPARELLI
Vicente
Fox não perdeu tempo. Cinco dias e sete horas após
o anúncio oficial de sua vitória como presidente do
México, no dia 2, ele estava dentro de um avião rumo
à América do Sul. Deixou para o fim os Estados Unidos,
eterno parceiro comercial, e partiu direto para o Chile. Passou
pela Argentina e, no último dia 9, desembarcou em Brasília,
em uma viagem que terminaria no Uruguai, última etapa antes
de Washington. Entrou assim na disputa pela vaga mais cobiçada
pelo presidente Fernando Henrique Cardoso: a de líder na
integração comercial da região. Por trás
do prestígio político do papel, está a necessidade
de reduzir a dependência mexicana em relação
aos EUA.
É
claro que falta a Fox a desenvoltura diplomática, a bagagem
acadêmica e o respeito internacional conquistados por Fernando
Henrique. Mas ele tem um estilo objetivo que agrada empresários,
o comando de uma economia pujante e... seis anos de mandato. Com
esses trunfos na mala, Fox começou no dia 7 uma verdadeira
corrida contra o relógio quatro países em três
dias. Deixou em casa as botas e o cinturão espalhafatoso
com seu nome, usados na campanha. Em vez disso, envergou o uniforme
de empresário ternos, gravatas e sapatos escuros
e fez discursos que lembravam os tempos em que presidiu a Coca-Cola
mexicana. Durante o périplo, tentou convencer empresários
e políticos de que o México está disposto a
entrar de cabeça em um acordo com os países vizinhos
para deixar de lado a dependência em relação
aos EUA. Apesar da economia mexicana ir de vento em popa, 80% do
comércio exterior do país de US$ 280 bilhões
foi resultado de negócios com os americanos. Por isso
o estadista grandalhão martelou na vizinhança o discurso
regionalista. No dia 7, no Chile do presidente Ricardo Lagos, avisou:
Ouço sempre que o México está distante
da América Latina, do Cone Sul, do Mercosul. Certamente o
México tem uma relação intensa com os Estados
Unidos, mas quero deixar muito clara a mudança de nossas
responsabilidades e nossas atitudes. Um dia depois, para o
presidente Fernando de la Rúa: Queremos ser aliados
e não competidores. Temos a oportunidade de trabalhar conjuntamente.
No
Brasil em uma viagem de dois dias, por Brasília
e São Paulo Fox angariou simpatias. O presidente
Fernando Henrique é um líder. Mas é bom que
haja dois. Para nós, Fox falou como um empresário,
sobre melhoria de produtividade e qualidade integral. Eu nem sei
se o meu amigo Fernando Henrique sabe o que é qualidade integral,
disse Olavo Setubal, presidente do Conselho do Itaú e ex-ministro
das Relações Exteriores. Setubal acabava de participar
de um café da manhã que abarrotou de empresários
e banqueiros um dos salões do Sheraton Mofarrej, em São
Paulo. Sua opinião foi compartilhada pelo presidente do Conselho
do Bradesco, Lázaro Brandão: Ele fez a exposição
que a gente sonha para um presidente da República.
As relações comerciais com o Brasil podem render grandes
lucros daqui para frente. As vendas brasileiras para o México
passaram de US$ 393 milhões no primeiro semestre de 1999
para os US$ 781,6 milhões no mesmo período deste ano.
Nos últimos seis meses, os mexicanos exportaram US$ 326 milhões
para o Brasil. Até o líder do PT Luís Inácio
Lula da Silva, concorda com a importância dos negócios
com o México. Se dizem que o México pode ser
um trampolim para facilitar a entrada de produtos americanos na
América do Sul, o país também pode ser um trampolim
para a venda de produtos latino-americanos para os EUA., disse,
ao final da conversa de 15 minutos com Fox na embaixada do México,
em Brasília.
Olhando
para os próximos anos de mandato, Fox quis conhecer os possíveis
presidentes do Brasil Lula, Ciro Gomes e o governador do
Ceará, Tasso Jereissatti. Nas três conversas, frisou
a necessidade de alianças comerciais. Recebeu três
sinais positivos. Começou bem no papel de Simon Bolívar
do comércio.
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