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Foto: Kiko Ferreti

MORDOMIAS: Shaw, paparicado com cestas de frutas, champanhe e estacionamento grátis

Por que é bom ser Vip
Eles não pegam fila, nunca se preocupam com limite no cartão e são mimados com presentes, regalias e descontos. O que será que eles têm de especial?

Fabiana Godoy, Laura Somoggi e Marta Barbosa

O executivo inglês Mark Shaw não sabe o que é pegar fila no balcão de um hotel para fazer check-in ou ter de fechar a conta até o meio-dia quando suas reuniões de negócios podem se estender até o final da tarde. Além disso, cada vez que se hospeda no cinco estrelas Intercontinental, de São Paulo, ele é paparicado com cesta de frutas, uísque importado, engraxate, academia de ginástica, café da manhã – que costuma ser cobrado à parte nesta categoria de hotel –, jornais internacionais e muito, muito mais (tudo isso não sairia por menos de R$ 155 por dia). Ser VIP num hotel de luxo não é apenas ficar num ambiente sofisticado com serviços de primeira. Clientes fiéis e que se hospedam nas suítes mais caras (com diárias que chegam facilmente a R$ 1 mil) recebem uma infinidade de agrados. É por conta deles que Shaw, vice-presidente da Aviation Capital Group, empresa americana de leasing de aviões, faz questão absoluta de se instalar sempre em hotéis de alto nível. “Quando tenho um problema, parece que essa é a única preocupação do hotel”, diz ele. “E aqui, todos me conhecem pelo nome.” Entre alguns dos serviços especiais que mais o agradam estão a possibilidade de ter adiantamento de dinheiro sempre que precisa (o que é depois cobrado na conta) e ter no quarto equipamento de trabalho com copiadora, fax, scanner e impressora. “Isso garante a confidencialidade dos negócios que faço aqui.”

Shaw não recebe tantos mimos por ser uma celebridade ou um chefe de Estado. Ele faz parte do mundo das chamadas “very important people”, gente que, além de dinheiro, tem a possibilidade de usufruir de serviços mais sofisticados com uma freqüência muito maior do que os simples mortais. Mais do que isso. Os VIPs normalmente não precisam desembolsar um tostão por coisas que os outros clientes pagam, e caro. A lista das gentilezas é imensa e pode incluir todo tipo de agrado gratuito: tarifas bancárias, locação de automóveis no Exterior, traslados de limusine, mordomos em hotéis, passagens aéreas, champanhe francês em boates, jóias em consignação e até a possibilidade de comprar roupas de grife em domicílio.

Quando comprou um carro da italiana Alfa Romeo, por exemplo, o empresário Fernando Altério levou na bagagem vários privilégios, como ingressos para espetáculos no teatro Alfa, em São Paulo (de R$ 30 a R$ 60), e estacionamento especial no aeroporto de Congonhas. Lá, ele não paga pelas primeiras 12 horas e ainda ganha uma lavagem – se fosse pagar, desembolsaria R$ 39. É claro que não foram essas vantagens, irrisórias diante do preço de uma máquina como a de Altério (R$ 118 mil), que pesaram na sua decisão de compra. “Mas sei que cada novo serviço lançado significa valorização quando eu quiser revender.” Ser VIP, aliás, não é novidade nenhuma para o empresário, dono das casas de shows Credicard Hall e Direct TV, em São Paulo. Ele é tratado pelo nome nos restaurantes que freqüenta e sempre ganha up-grade nas passagens aéreas. “Não tinha parado para pensar, mas acho mesmo que a gente acaba economizando por ser VIP”, afirma Altério.

Vantagem mesmo é que para os VIPs não existe a palavra impossível. Escolher jóias num domingo à noite. Comprar roupas sem sair de casa. Pagar no cartão sem se preocupar com limite. Ou entrar num restaurante e ter seu prato preferido antes mesmo de pedir. Tudo é permitido. O passaporte para esse mundo não se resume a uma conta bancária recheada. Fidelidade é uma moeda ainda mais valorizada. “Quando o cliente é assíduo, atendemos onde ele precisar”, diz Kelly Amorim, sócia da joalheria Carla Amorim. “Já vendi para gente embarcando no aeroporto.” Na grife Ralph Lauren, cliente especial nem precisa sair de casa. “A pessoa liga, faz o pedido, escolhe, devolve o que não quer e depois paga”, diz Roberta Calfat, gerente de uma das lojas. Um bom exemplo de fidelidade é o da psicóloga Maria Marta Saliba Oliveira, de Curitiba. “Viajo pela TAM a vida inteira”, diz ela, que embarca em aviões da companhia pelo menos duas vezes por mês – e sempre em classe executiva nos vôos internacionais. Toda vez que vai a Miami, tem à sua disposição, por um dia, um carro de luxo pago pela empresa (a diária não sai menos de R$ 700). “Não me considero VIP, sou uma cliente fiel tratada de maneira especial.”

É claro que, para ser tão mimados, os VIPs pagam caro. E é justamente por valer tanto que as empresas oferecem cada vez mais vantagens para fidelizar esses clientes. No banco HSBC, por exemplo, o correntista Premier tem de 50% a 100% de desconto nas tarifas. Mas para tanto é preciso ter pelo menos R$ 50 mil na sua conta. O que mais recebe em troca? Taxas e limites preferenciais, atendimento de gerente exclusivo, serviço expresso de coleta de depósitos e pagamentos. Quem tem um cartão de crédito Platinum (Visa, MasterCard, American Express e Credicard) nunca tem uma compra recusada. Na Visa e na MasterCard, nem o seguro obrigatório no aluguel de carros é cobrado. Na Amex, há um serviço de concierge que atende qualquer necessidade 24 horas por dia (aluguel de telefone celular, compra de flores, reservas em restaurantes, compra de ingressos etc.). Para ter direito aos agrados, porém, paga-se uma anuidade que varia entre R$ 300 e R$ 750 – a de um cartão convencional não sai por mais de R$ 100. Que ser VIP é bom não há dúvidas. Mas, nesse caso, o que é bom custa caro.

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