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NEGÓCIOS/PERFIL
FEFFER: Articulador no meio empresarial, habilidoso negociador e amigo de políticos poderosos

O papel de Feffer
Dono do Grupo Suzano parte para o ataque à Bahia Sul e anuncia projetos de US$ 1,5 bi nas áreas de celulose e petroquímica

Juliana Almeida e Mariza Cavalcanti

Max Feffer, herdeiro do lendário Leon na Companhia Suzano de Papel e Celulose, é um homem influente. Está à frente de um conglomerado que fatura por ano R$ 2 bilhões; desfruta da amizade de alguns dos homens mais poderosos da vida política do País, como o senador Antônio Carlos Magalhães, e circula com desenvoltura pelos corredores do Palácio do Planalto. Discreto, apaixonado por música e artes plásticas, temido negociador, ele emergiu à cena nacional, nas últimas semanas, ao protagonizar a bem-sucedida operação de venda da Igaras à concorrente Klabin. Recebeu US$ 231 milhões, mais que o dobro do que pagou pela empresa em 1994. Sua estratégia, agora, é arrojada. Com dinheiro em caixa, Feffer quer despontar como um dos maiores investidores privados do Brasil. Tem projetos de US$ 1,5 bilhão para os próximos cinco anos. E se prepara para vencer as rivais Aracruz e VCP na disputa pela cobiçada parte da Companhia Vale do Rio Doce na Bahia Sul. Por já deter 50% do controle da empresa baiana, Feffer tem vantagens na operação. É o que o mercado chama de direito de preferência. Em outras palavras, o dono da Suzano poderá cobrir as propostas apresentadas pelos concorrentes e controlar totalmente a Bahia Sul.

A empresa baiana, que já foi tida como um patinho feio do setor por conta de seu alto endividamento, é hoje uma noiva muito cortejada. “Os resultados deste ano, extremamente bons, são o reflexo de uma gestão empresarial sincronizada com as novas demandas do mercado”, afirma Feffer à DINHEIRO. Capital para sua ofensiva não será problema. A companhia tem em caixa US$ 350 milhões. Pelo atual valor de mercado, a participação da Vale estaria cotada a US$ 193 milhões, sem o prêmio pelo controle. “A Bahia Sul tem uma posição estratégica para nós”, afirma o diretor-executivo do Grupo Suzano, Adhemar Magon. Explica-se. Implantada em Suzano, na Grande São Paulo, a companhia não tem mais como se expandir. Os últimos investimentos possíveis, de US$ 105 milhões, estão sendo feitos agora. “Este será o limite para ampliar nossa capacidade”, conta Magon. Já a Bahia Sul, localizada em Mucuri, num terreno de 66,5 mil hectares, tem possibilidade de duplicação. Além disso, ostenta os menores custos de produção do setor no mundo. É uma prato cheio para a Suzano.

Missão. “Feffer está com a faca e o queijo na mão para comprar a Bahia Sul”, diz Luciana Massaad, analista da corretora Fator. A Suzano tem capital em caixa, os negócios encontraram o trilho com a priorização de duas áreas estratégicas, a de celulose e papel e a de petroquímica, e a máquina administrativa – mesmo após a morte de Leon em 1999 – continua azeitada. É com essa base que Feffer começa a ensaiar os próximos lances. Para o empresário, o momento é adequado para investir. “As dificuldades ainda são muitas, mas o País encontrou um caminho”, diz. “Cabe a cada um de nós assumir responsabilidades que ajudem a viabilizar o crescimento com desenvolvimento econômico e eqüidade social”, frisa. Ele acredita tanto nisso que está aplicando seu capital, até 2004, em megaprojetos como uma fábrica de derivados de petróleo em Mauá (SP) e uma central de matérias-primas petroquímicas no Rio de Janeiro.

Os Feffer foram convidados nos anos 70 pelo governo brasileiro a entrar no setor petroquímico. Assumiram o risco. O que não é novidade na história da Suzano, marcada por desafios. Ela nasceu como uma pequena revendedora de papéis, em 1923, num porão no Brás, em São Paulo. Com a Segunda Guerra interrompendo o fluxo de navios e impedindo a importação de celulose de pinus, a companhia viveu um impasse: encontrar matéria-prima para a produção de papel. Max Feffer, a pedido do pai, assumiu a missão e achou, em 1956, a solução nos campos brasileiros de eucaliptos. Com o novo insumo, a Suzano deu um salto tecnológico e revolucionou o setor. Hoje, o Brasil é o único país a fabricar papel com 100% fibra de eucalipto.

Ativo, mesmo aos setenta e poucos anos (ele não revela a idade), Feffer costuma dar expediente diário na sede da companhia, num prédio luxuoso da capital paulista. Ladeado pelos filhos David e Daniel e 12 executivos, participa de todas as decisões mais importantes sobre os rumos da Suzano. Homem de amizades duradouras, Max abre, regularmente, a sua casa no Jardim Europa para saraus com os colegas empresários. Para a próxima semana, já está marcado um encontro de cerca de 20 nomes da indústria nacional, desta vez na casa do filho Daniel, com o vice-presidente Marco Maciel. No jantar, o político apresentará a versão oficial para os últimos escândalos que abalaram o governo. Fora esses raros encontros, Feffer costuma passar o tempo entre os acordes de violino, seu instrumento preferido. O homem de vários papéis – articulador, empresário, músico – não perde a majestade no império que ajudou a montar.

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A Petrobras teve um lucro recorde de US$ 4,5 bilhões no primeiro semestre deste ano. Isso poderá aumentar os dividendos para quem comprou ações da estatal, que terá de investir quase R$ 2 bilhões para recuperar boa parte dos dutos que transportam o petróleo que ela produz. Eles estão velhos e podem causar mais um acidente. A estatal foi responsável por dois dos maiores vazamentos de que já se teve notícia no país. Você compraria as ações desta companhia? Por quê?

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