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NEGÓCIOS/NOVOS INVESTIMENTOS
Fotos: Andrea Hagge
ESTRÉIA: O técnico e empresário entra em um mercado de R$ 130 mi dominado pela gigante Quaker

Vai ter que engolir
A nova jogada de Wanderley Luxemburgo é uma fábrica de bebida isotônica no Paraná

» Box: Hortência: Babá de primeira classe

Fernando Neves e Carlos Sambrana

Wanderley Luxemburgo está mudando de tática. Nada de 4-3-3 ou 4-4-2. A nova estratégia do treinador da seleção brasileira de futebol passa longe dos campos. Luxemburgo vai abrir em Irati (PR) uma fábrica de isotônicos, aquela bebida energética que é consumida por 10 entre 10 atletas e faz a alegria dos freqüentadores de academia de ginástica. A marca chama-se Beverage, é originária dos Estados Unidos, estava sendo importada da Argentina e estréia como produto nacional nas prateleiras brasileiras em meados de outubro. O dublê de técnico e empresário não revela de jeito nenhum o investimento em sua nova jogada. Diz que é segredo tático. Olheiros do mercado, no entanto, estimam em R$ 1 milhão o custo de instalação da Beverage, incluindo compra e transferência dos equipamentos.

Zebra. A fábrica não é o primeiro negócio no qual o treinador se envolve. “Tive muitas coisas mas a maior parte fechou”, conta Luxemburgo. Das outras aventuras empresariais restaram uma parceria de 50% no restaurante Elias, um tradicional reduto de torcedores do Palmeiras em São Paulo, e um bingo em Curitiba. Agora, com o isotônico, Luxemburgo quer virar o placar. Seu sócio na Beverage é o empresário Sérgio Maluceli, que possui uma revenda de carros importados em Curitiba. Foi ele quem influenciou na escolha do local de instalação da fábrica, Irati (PR). “O Sérgio tem bons contatos entre os fazendeiros da região e isso será importante para a compra das frutas para o isotônico”, explica Luxemburgo. Todos os equipamentos virão da fábrica argentina Sameri, que está em processo de desmonte. O mercado que o empresário/treinador vai disputar gira por ano no Brasil R$ 130 milhões. O Gatorade, fabricado pela Quaker, é senhor absoluto com 73,7% das vendas, seguido do Marathon, da AmBev, que detém 14,4% de participação. Os demais concorrentes dividem entre si 11,9%. Em outras palavras, Luxemburgo entra como zebra neste jogo milionário.

Problema. Além do desafio de abrir espaço no mercado, o técnico da seleção brasileira precisa estar atento ao nível de qualidade da fábrica. Uma das amostras enviadas a DINHEIRO tinha objetos boiando dentro da garrafa. Segundo Márcio Silva do Carmo, promotor de vendas e marketing da Beverage, o lote que está sendo usado para promoção da marca foi importado da Argentina. Isto é, produzido na unidade industrial que está em processo de desmonte, o que poderia afetar a qualidade do produto. Uma falha como essa determina o sucesso ou fracasso de um produto porque afeta a imagem da marca. Um item que o treinador e empresário não pretende descuidar. Na promoção do Beverage, Luxemburgo garante que não irá assumir o papel de garoto-propaganda. É a vaidade cedendo espaço para os negócios.

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