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TELCON:
Nem o aumento de produção foi suficiente para
atender à demanda
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Sem
fibra
Falta
de cabos óptico e metálico emperra crescimento do setor
Paula
Pacheco
A euforia
na expansão das telecomunicações tomou um banho
de água fria. A falta de cabos metálico e óptico
no Brasil poderá adiar em um ano a livre concorrência
entre as operadoras de telefonia. A crise começou porque
as empresas, estimuladas pela Agência Nacional de Telecomunicações
(Anatel), decidiram antecipar o cronograma de instalação
das redes, previsto para janeiro de 2003. Cumprir o prazo antes
do tempo, segundo o regulamento da agência, garante um cobiçado
prêmio: operar em todo o País já a partir de
janeiro de 2002. Na agência reguladora a notícia da
falta de cabos ainda não chegou. O recado às operadoras
é bem objetivo: Se falta cabo, é um problema
a ser resolvido com os fornecedores, avisa a direção
da Anatel. Em resumo, datas e metas para expansão das redes
não serão revistas.
Tanta
demanda por cabos não deixou os fornecedores felizes como
se esperava. Mesmo aumentando a capacidade de produção,
a indústria ainda está longe de atender tantos pedidos
fora do programa. Os problemas começaram no semestre passado,
quando as principais operadoras quiseram antecipar em pelo menos
um terço as encomendas do ano que vem. O aumento da demanda
pegou os fornecedores despreparados. Estamos trabalhando em
três turnos, sete dias por semana, e talvez não haja
folga nas festas de fim de ano, diz Guido Casanova, diretor
de telecomunicações da Pirelli Cabos para a América
do Sul. Na Pirelli, assim como em outros fornecedores, o abastecimento
é normal para os pedidos feitos no início do ano.
São as encomendas sem programação prévia
que não conseguem ser atendidas. Na Telemar, os pedidos extras
de cabos metálicos e ópticos ainda não foram
100% atendidos. Existe a possibilidade de importação.
É uma forma de tentar escapar da crise de abastecimento,
explica Eduardo Michalski, diretor de suprimentos da companhia.
Na Telefônica o problema se repete, mas a empresa garante
que irá cumprir as metas da Anatel.
Para
não deixar de atender as encomendas, a Furukawa, de Curitiba,
aumentou a produtividade dos equipamentos de cabos metálicos
em 20%, o que não foi suficiente para tirar os clientes da
lista de espera. Na Telcon, de Sorocaba (SP), a capacidade de processamento
de fibra óptica foi quintuplicada no fim do ano passado.
Ainda assim, segundo Marco Vitiello, diretor comercial, não
é possível produzir além do que foi encomendado
no começo do ano. Em 1999, este mercado movimentou cerca
de R$ 269 milhões e para este ano os fornecedores esperam
aumentar suas vendas em 30%. E como acontece sempre na lei de oferta
e procura, a explosão no consumo provocou um aumento de até
10% dos preços dos cabos. A previsão é de que
nos próximos dois anos ainda haja uma demanda muito grande
por cabos metálicos, que depois deverá se estabilizar.
Já a dificuldade em encontrar cabos ópticos pode estar
apenas no início. A fibra óptica, principal matéria-prima,
está em falta no mercado mundial. O cenário poderá
se complicar se o consumo aumentar tanto quanto os fornecedores
esperam. O cabo óptico, apesar de custar caro, tem uma boa
relação custo/benefício. Cada par de fios suporta
30 mil chamadas, contra uma do cabo metálico. Além
disso, o óptico é ideal na transmissão de dados,
um mercado que ainda tem muito o que crescer no Brasil.
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