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ECONOMIA/FÁBRICA DE NOTAS

FORTUNA REAL: Faturamento foi de R$ 167,5 milhões no ano passado

Assim se faz dinheiro
A Casa da Moeda vai produzir este ano 1,3 bilhão de cédulas e 350 milhões de moedas de real

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Luciano Dias, fotos Andrea Hagge

No pobre subúrbio carioca de Santa Cruz, com renda per capita de dois salários mínimos e meio, todos os dias úteis uma empresa produz fortunas. Vizinha a um quartel da Polícia Militar e com um exército próprio de 300 homens armados com fuzis e metralhadoras, trata-se do único endereço do País onde se pode fabricar dinheiro dentro da lei. A Casa da Moeda Brasileira, fortaleza singular de 100 mil metros quadrados, faturamento de R$ 167,5 milhões e lucro líquido de R$ 18,4 milhões em 1999, administra cinco linhas de produção capazes de imprimir um bilhão de cédulas de real por hora. Somente este ano, sob as vistas de 1.600 funcionários com salários variáveis entre R$ 500 e R$ 5 mil, foram produzidos 720 milhões de notas de dinheiro vivo. Até dezembro, outros 580 milhões de cédulas e 350 milhões de moedas serão cunhados a pedido do Banco Central. A dinheirama tem dois destinos: circular pela sociedade, em substituição a papel-moeda desgastado e moedas perdidas, e forrar o estoque de segurança do governo.

O dinheiro novo cumpre um ciclo longo, perigoso e sofisticado. Começa nas plantações de algodão em Laranjal e Lençóis Paulista, onde brota a matéria-prima que será processada na Indústria de Papel e Celulose de Salto, no interior de São Paulo. Nas instalações da empresa, controlada pelo grupo franco-britânico Arjo Wiggins, o algodão é misturado com água, vira pasta e então recebe acréscimos como fios de segurança, fibras coloridas e florescentes apenas sob luz violeta. Quando seca, está pronto como papel-moeda. “Aqui é um momento crucial da fabricação do dinheiro”, reconhece Michel Giordani, diretor-geral adjunto da empresa. Toda a fábrica é cercada permanentemente por 25 guardas particulares armados e monitorada por um circuito interno de tevê. Além disso, há anfitriões nada simpáticos a quem quiser entrar sem convite. O contorno da fábrica é fechado por duas grades. No espaço entre elas vivem cães pastores alemães. “Só os alimentamos com moscas”, diverte-se Giordani.

Para chegar à Casa da Moeda, o papel-moeda sai de Salto em caminhões-baús lacrados e monitorados por satélite. Se houver qualquer alteração no lacre na hora da entrada em Santa Cruz, no Rio, o caminhão é mandado de volta sem sequer ser aberto. Se tudo estiver bem, o fabrico do dinheiro começa pela impressão em off-set das folhas limpas. Elas recebem a aplicação das cores de fundo, os desenhos das notas e mais um registro de segurança. Seis máquinas fazem esse serviço. As duas mais modernas, compradas na década de 80, conseguem colorir 8 mil cédulas por hora. Cada cédula é contada. Como é proibido por lei revistar as pessoas no trabalho, o controle é feito pela quantidade de material que entra e sai de cada etapa produtiva. “Tudo tem de bater”, afirma o presidente da estatal, Fernando Malburg da Silveira.

Numa segunda etapa, as notas já coloridas recebem impressão calcográfica, que acrescenta alto-relevo em nove pontos de cada cédula. Antes de alcançar a próxima parada, são colocadas para secar por períodos que variam de 24 a 48 horas. “Sempre há um excesso de tinta que precisa ser absorvido”, conta Silveira. Uma vez seco, o produto que irá virar dinheiro passa por seu momento mais curioso. Um grupo de mulheres sem luvas e a olho nu manipula cada nota, para descobrir eventuais defeitos. “Elas são as mais preparadas para esta função, têm olhos de lince e tato delicado”, justifica Silveira.

Com a chancela feminina, as cédulas vão ao setor de acabamento. Lá, recebem número de série e as assinaturas do ministro da Fazenda e do presidente do Banco Central. Só então os lotes são cortados nos limites de cada desenho, ensacados e empacotados. Está valendo! A fortuna feita a cada dia útil espera num cofre a chegada do caminhão do Banco Central, que a levará para a sede do Departamento de Meio Circulante do BC, na Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro. O custo final de cada nota varia entre R$ 0,052 e R$ 0,059.

“O ideal é que todo o dinheiro em circulação seja substituído a cada período de 14 meses”, diz o chefe do Departamento do Meio Circulante do Banco Central, José Barbosa. Para que isso aconteça, a operação de troca do dinheiro velho pelo novo deveria atingir 1,6 bilhão de cédulas, a totalidade em circulação no País, equivalente a R$ 23 bilhões. “No ano passado, em razão de restrições orçamentárias, conseguimos trocar 1,1 bilhão de cédulas”, explica Barbosa.

Para este ano, o BC fez uma encomenda de 1,3 bilhão de cédulas. Destas, 52,7% serão notas de R$1; 17,7% de R$ 5; 19,9% de R$ 10; 5,5% de R$ 50; e 4,1% de R$ 10 outra vez, mas de plástico. Essa matemática explica por que sempre é difícil encontrar notas de R$ 100 na praça. Como circulam pouco, têm menor desgaste. Assim, deixaram de ser fabricadas em 1996 e não há previsão de retorno à linha de produção.

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A Petrobras teve um lucro recorde de US$ 4,5 bilhões no primeiro semestre deste ano. Isso poderá aumentar os dividendos para quem comprou ações da estatal, que terá de investir quase R$ 2 bilhões para recuperar boa parte dos dutos que transportam o petróleo que ela produz. Eles estão velhos e podem causar mais um acidente. A estatal foi responsável por dois dos maiores vazamentos de que já se teve notícia no país. Você compraria as ações desta companhia? Por quê?

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