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ANTONIO
LOPES: “A coleção de carros não é um investimento”
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Sonho
bem possível
Com
planejamento e organização, mesmo os mais caros e supérfluos objetos
do desejo podem estar ao seu alcance
Marta
Barbosa
Precisar
mesmo, ninguém precisa. Mas quem um dia já não
se imaginou com uma Ferrari na garagem, passando férias no
apartamento de Paris ou viajando de um lugar para o outro no seu
jatinho? São sempre coisas assim, nada essenciais, que estão
no imaginário das pessoas como sonhos de consumo. E não
há mal nenhum nisso. O desafio é torná-lo possível
sem que, é claro, se transforme num pesadelo para suas contas.
Como? Com planejamento financeiro. O primeiro barco do engenheiro
naval Arthur Russi foi uma miniatura de canoa canadense que ele
ganhou do pai quando tinha quatro anos. Do barquinho de brinquedo
até ter um grande o suficiente para navegar com toda a família
se passaram 50 anos. Calculei cada passo até conseguir
meu objeto do desejo, diz Russi. Cheguei a comprar algumas
lanchas, mas só agora consegui o que tanto queria.
O veleiro de 36 pés, com capacidade para oito pessoas, custou
R$ 100 mil. Junto com outros dois amigos, Russi contratou sete funcionários,
alugou os moldes e construiu ele mesmo seu veleiro. Fiz do
jeito que queria, do motor japonês de última geração
até a cabine mobiliada. E, o que é melhor, a
opção por construir reduziu em 40% os custos.
Das
cerca de 200 Ferraris novas que existem no Brasil, uma é
do empresário Wilton Dantas. Paguei US$ 220 mil num
carro que fica mais tempo na garagem, mas não me arrependo.
Como não teria dinheiro para comprar à vista uma Ferrari
novinha, Dantas comprou primeiro uma com quatro anos de uso, por
US$ 100 mil. Economizou e trocou por outra dois anos mais nova.
Até comprar, no ano passado, uma zero quilômetro.
A
pressa só atrapalha quem não quer passar a vida, ou
boa parte dela, apenas sonhando. Nenhuma compra pode ser feita
por impulso, principalmente quando é algo supérfluo,
diz o consultor financeiro Luiz Carlos Conrado. Justamente por isso,
também não deve ser financiado. Afinal, você
está somando um gasto em tese desnecessário
no seu orçamento mensal. Sem falar nos juros. A ordem
natural é priorizar o lugar para morar, a educação
dos filhos e a manutenção da casa. Se qualquer um
desses pontos ficar para trás, é sinal que alguma
coisa está errada.
Outro
aspecto importante antes de esvaziar a poupança (aquela feita
só com esse objetivo) é calcular os custos de manutenção.
Os gastos não acabam quando você compra um apartamento
em Miami. Ao contrário, é aí que começam
as contas com condomínio, impostos, limpeza etc., etc., etc.
Para o psicólogo Sérgio Wajman, a vontade de ter muito
uma coisa pode até servir de estímulo na organização
financeira. Pode ajudar, por exemplo, a pôr ordem nas contas
e planejar o futuro. O consultor Antonio Carlos Lopes mudou a forma
de lidar com o dinheiro desde o dia em que resolveu pontuar sua
vida por um objetivo: colecionar carros antigos. Isso foi há
20 anos. Hoje ele tem 10 carros e 17 motos. Quase US$ 300 mil na
garagem. A preocupação de Lopes foi não deixar
de investir e cuidar das contas só para manter o seu hobby.
Sei que minha coleção não é um
investimento porque não tem liquidez.
O
empresário Flávio Aronis descobriu uma forma de ganhar
dinheiro depois que fez para si o que muitos outros querem: uma
mansão. Há cerca de cinco anos, ele recebeu uma proposta
irrecusável para vender o imóvel onde morava e que
tinha construído. Um executivo pagou 200% mais do que
valia porque disse que aquela era a casa que ele sempre quis.
Hoje Aronis não compra, vende sonhos de consumo. Ele escolhe
o terreno em bairros nobres (sempre em São Paulo) e constrói
casas que custam entre US$ 350 mil e US$ 1,5 milhão. Em cinco
anos, Aronis fez 12 mansões. Vendeu todas menos de três
meses após a conclusão da obra. Com um detalhe: todas
à vista. A mais recente delas, uma casa de três suítes
que custou US$ 500 mil, foi vendida antes mesmo de ficar pronta.
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