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FINACENTER:
pesquisa revela que maioria
das pessoas tem saúde financeira comprometida
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Atropelados
pelas dívidas
Abuso do cartão
de crédito, débitos da empresa, gastar antes de receber ... Saiba
como sair dessa antes de ser massacrado
»Box:
Mudei de vida para não ficar no vermelho
Fabiana
Godoy
O advogado
Luiz Vitor Luccas, 66 anos, nunca havia passado um cheque sem fundo
em toda sua vida. Bem-sucedido na profissão, até 1992
ele possuía renda mensal de R$ 40 mil. Foi quando três
pontes de safena o tiraram da ativa. Por seis anos ele trabalhou
em ritmo lento e se manteve com a poupança feita durante
a carreira. Em agosto de 1998, com as reservas esgotadas, Luccas
recorreu ao cheque especial e fez uma dívida de R$ 7.000.
Era para manter meu nível de vida. Foi o começo
de seu inferno. Os juros fizeram a conta chegar a R$ 43 mil. Hoje,
além de estar com o nome sujo na praça, ele está
sendo processado na Justiça pelo banco credor.
A
história do advogado paulista não é exceção.
Uma pesquisa feita pelo site de finanças pessoais Financenter
mostra que a maioria das pessoas está com a saúde
financeira comprometida. Dos 2.849 internautas participantes, 44%
estão endividados (em empréstimos e cheque especial),
21% perderam o controle das finanças e precisam de ajuda,
15% gastam tudo que ganham, 10% estão se organizando e apenas
10% não estão endividados e têm reservas. Praticamente
90% dos participantes apresentam dificuldades financeiras,
avalia Betty Kittner, diretora do site. O desequilíbrio orçamentário
não é exclusividade de quem não tem dinheiro.
Segundo dados de um dos maiores consórcios de carros do País,
20% da inadimplência acontece na compra de veículos
de luxo como Cherokee, BMW e Audi.
Muitos
desses casos se assemelham ao do advogado Luccas. Imprevistos como
uma doença ou a perda de emprego arrastam as finanças
ladeira abaixo. Há executivos que têm altos cargos
com direito a casa, carro e escola pagos pela empresa, diz
a educadora financeira Cássia DAquino. Acham
que isso é garantido e não fazem reserva. Se perdem
o emprego, o padrão de vida vai junto. É claro
que não é só falta de sorte que leva ao vermelho.
Nem todo mundo aceita cortar despesas na crise (confira quadro).
Muitos preferem sustentar, mesmo que só na fachada, um alto
padrão de vida.
Cartões
de crédito e cheque especial são dois dos maiores
vilões quando se fala em dívidas. Isso porque muita
gente usa os seus limites como se fossem renda. Grave engano. São
as modalidades com os juros mais caros do mundo, adverte Rodrigo
Moratelli, diretor da MCA Consultoria Financeira. Os juros do cheque
especial e do cartão de crédito variam de 80% e 215%
ao ano. É mais barato pegar um empréstimo pessoal
e saldar os débitos o quanto antes, diz o advogado
Carlos Ely Eluf. Outro erro comum é o do empresário
que confunde suas finanças pessoais com as da sua companhia.
Fazer retiradas sem controle em seu negócio pode quebrar
a empresa e o dono. Achar que o compromisso da pessoa jurídica
não vai atingi-lo também pode levar a conseqüências
desastrosas. Pela lei brasileira o proprietário pode ter
que arcar com as dívidas da empresa, caso a companhia esteja
descapitalizada.
O
empresário que tem débitos está arriscando
seu patrimônio, alerta o advogado Ricardo Tosto. Há
ainda quem gaste por conta. Antes mesmo de conquistar
um cliente ou fechar um negócio faz uma grande despesa. Problemas
à vista. Reconhecer as suas dívidas é um grande
passo para contorná-las. Enganar-se dizendo que está
apenas gastando um pouco mais por mês pode levar a uma situação
fora de controle. Em tempo: empréstimos dentro da família
mesmo que sem juros e com prazo indefinido também
devem ser contabilizados. Não adianta apagar da memória.
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