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MOEDA FORTE/

O CALDEIRÃO DE ARCURI

O mineiro Reginaldo Arcuri, 55 anos, que desde o mês passado comanda a Secretaria de Desenvolvimento da Produção, está disposto a mudar a cara do setor industrial brasileiro. O sucessor de Hélio Matar desembarcou no Ministério do Desenvolvimento com a missão de dar um novo perfil à indústria. “Temos que aumentar a competitividade das empresas brasileiras”, diz ele. A fórmula básica de seu caldeirão: o próprio Ministério do Desenvolvimento vai formatar pacotes de financiamentos para ajudar setores da economia a se reestruturar.

DINHEIRO – Não corremos o risco de repetir erros do passado, quando o governo escolheu algumas empresas para receber financiamentos?
Arcuri – Ocorreu uma mudança na economia do mundo. Essa mudança pressupõe não ter mais uma economia autárquica. A competição é com cadeias produtivas da economia internacional. Não se pode mais usar instrumentos de alavancagem da capacidade produtiva baseados em subsídios e proteção tarifária. O presidente e o ministro Tápias têm dito que não vamos escolher vencedores.

Qual a solução?
O que está se buscando é estruturar formas de ação para ajudar o setor privado a conseguir maior competitividade.

O BNDES vai se manter como hospital de empresas?
Não. Os critérios serão técnicos e cada centavo emprestado terá que ser pago com juros. Não vão faltar recursos. A idéia é montar pacotes com a participação do BNDES, da Finep e de outras agências de financiamento que trabalham com o governo.

ADVOCACIA GLOBAL
Depois de um ano de negociações, a Andersen Legal alcançou um grande escritório brasileiro. Nos próximos dias deverá ser anunciada oficialmente a associação do escritório paulista Thiollier & Pinheiro Advogados com a empresa mundial, uma das maiores bancas do planeta, com mais de 3.000 advogados e endereços em mais de 35 países.

EIS O EFEITO
A compra da sueca Scania pela alemã Volkswagen, em março deste ano, já começa a provocar mudanças no Brasil e nos demais países da América Latina. Por aqui, é provável que áreas como compras e logística passem a operar em conjunto. O objetivo é ganhar poder de barganha frente aos fornecedores e reduzir custos de 12% a 15%. As áreas comerciais e as marcas serão preservadas. Nos outros mercados do continente, com exceção de Argentina e México, as mudanças deverão ser mais radicais. As operações das duas empresas possivelmente serão unificadas, já que a presença da Scania é reduzida.

 

 

BANQUEIRO DOS BANQUEIROS
Os bancos estão fazendo a lição de casa para cumprir a determinação do Banco Central e assumir o Sistema Nacional de Liquidação e Compensação. Os debates para a constituição da nova empresa interbancária avançam, agora, sobre a escolha de um diretor-executivo, o homem com poderes para cobrar os próprios banqueiros quando os cheques de seus clientes tiverem problemas. Os nomes discutidos até o momento são os do ex-diretor de Política Monetária do BC, Alkimar Moura, e dos executivos Isney Rodrigues, Francisco Becker e Peter Vertes.

À VENDA
Missão difícil para o banco americano Donaldson, Lufkin & Jenrette. O escritório brasileiro foi contratado há pouco mais de um mês pela AmBev para encontrar um comprador para a Bavária. O preço não está fechado, mas fala-se em US$ 300 milhões, valor da marca e mais sete fábricas.

A CÚPULA
A professora Wilnês Henriques, da Unicamp, conseguiu dimensionar a “cúpula econômica” da sociedade brasileira. São cerca de 18 milhões de pessoas, ou 12% da população, que detêm 38% da renda nacional e respondem por uma fatia não mensurada, mas seguramente enorme, do consumo de bens e serviços oferecidos no Brasil.


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FÓRUM

A Petrobras teve um lucro recorde de US$ 4,5 bilhões no primeiro semestre deste ano. Isso poderá aumentar os dividendos para quem comprou ações da estatal, que terá de investir quase R$ 2 bilhões para recuperar boa parte dos dutos que transportam o petróleo que ela produz. Eles estão velhos e podem causar mais um acidente. A estatal foi responsável por dois dos maiores vazamentos de que já se teve notícia no país. Você compraria as ações desta companhia? Por quê?

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