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FINANÇAS/ REI MORTO, REI POSTO
GESTÃO PARTICIPATIVA: Doft (à dir.) e Khabbaz, do Highline: injeções para testar produto

Senhores do universo
Uma nova geração de gestores de fundos se apodera do trono de George Soros e Warren Buffett

O grandioso tombo de George Soros, Warren Buffett e Julian Robertson, os administradores dos maiores fundos norte-americanos, deixou vago o título de “Senhores do Universo” – como o grupo era chamado em Wall Street, usando a definição do escritor Tom Wolfe. Agora, uma nova geração de administradores prepara-se para tomar o poder. Eles têm a mesma ambição, fazem suas carteiras engordarem em ritmo semelhante e trabalham, como seus antecessores, com volumes imensos de dinheiro. Os novos donos do mundo, porém, têm diferenças fundamentais em relação à geração anterior. Eles acham que vêm para ficar e, para não ser derrubados de seus tronos, fogem do risco como o diabo da cruz. Seus investimentos são pouco alavancados, e não há mais tacadas megalomaníacas como a de Soros, que ganhou US$ 1 bilhão apostando contra a libra inglesa em 1992.

Os candidatos são da estirpe de Larry Bowman, que fundou a Bowman Capital em 1995, na Califórnia, depois de trabalhar na Fidelity Investiments e no Tiger, o fundo de Robertson. Hoje, depois de alcançar uma lucratividade fantástica de 75% ao ano durante cinco balanços seguidos, ele administra o quinto maior fundo do planeta, com US$ 5,5 bilhões em ativos. Andreas Halvorsen, outro egresso do Tiger tido como menino-prodígio, criou sua companhia de investimentos, a Viking, no ano passado. O perfil dos rapazes é o de quem leva a análise de mercado extremamente a sério. Para decidir-se sobre o investimento em uma empresa de tecnologia médica, Jacob Doft, administrador da Highline Capital, levou quatro injeções de um lado do rosto – para compará-las com as quatro aplicações feitas do outro lado, usando um aparelho de anestesia que dispensava o uso de agulha. Em outra ocasião, passou oito horas acompanhando uma cirurgia para checar ao vivo a opinião dos médicos sobre os produtos. Doft e seu sócio, Raji Khabbaz, lucram 25% ao ano desde 1995.

As diferenças de estilo são visíveis. Primeiro, eles dão preferência ao investimento em ações ou participações, enquanto seus antecessores privilegiavam as apostas em derivativos, principalmente aqueles ligados ao câmbio. Eles também depositam suas fichas na Nova Economia, coisa que veteranos como Warren Buffett evitavam. Mas o fazem com cuidado, sem a preocupação de lucrar três dígitos por ano. Por fim, eles não operam sempre alavancados, como costumavam fazer com freqüência os jogadores da geração anterior.

Tigre devorado. Na última reviravolta do mercado, nos primeiros meses do ano, os novatos quase devoraram alguns veteranos. A Maverick Capital foi fundada há apenas dez anos, em Dallas, por Sam Wyly, dono de uma empresa de software. Já administra US$ 4,5 bilhões em fundos. Quando o Tiger, de Julian Robertson, começou a sangrar mortalmente, seu rival mais jovem por pouco não o adquiriu. Não se sabe até agora por que a negociação não foi adiante, mas o desfecho mostra claramente do lado de quem estava a cadeia alimentar. A Maverick vem obtendo retorno de 30% ao ano nos últimos quatro anos, enquanto o Tiger simplesmente fechou. O administrador do fundo texano é o jovem Lee Ainslie, outro ex-executivo do fundo de Robertson.

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A Petrobras teve um lucro recorde de US$ 4,5 bilhões no primeiro semestre deste ano. Isso poderá aumentar os dividendos para quem comprou ações da estatal, que terá de investir quase R$ 2 bilhões para recuperar boa parte dos dutos que transportam o petróleo que ela produz. Eles estão velhos e podem causar mais um acidente. A estatal foi responsável por dois dos maiores vazamentos de que já se teve notícia no país. Você compraria as ações desta companhia? Por quê?

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