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LISTA
NA MÃO: ordenada por patrimônio,
traz 18 instituições brasileiras
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Arena
da morte
Ranking mostra que os bancos brasileiros não são tão competitivos
como deveriam. Conseguirão sobreviver à globalização?
Lucia
Kassai
A revista
inglesa The Banker, a Bíblia do mercado financeiro, publicou
na semana passada um ranking com os mil maiores bancos do mundo.
A lista, ordenada por patrimônio, é liderada pelo Citigroup
e traz 18 instituições brasileiras. Até aí,
sem surpresas. O que chamou a atenção dos analistas
foi o rol pelo critério de eficiência. O indicador
usado foi percentual de gastos em relação à
receita, que mostra se a empresa sabe fazer dinheiro com a atividade
bancária propriamente dita. O Banestado, estatal do Paraná
com privatização marcada para o final do ano, foi
o penúltimo da lista, perdendo apenas para o obscuro Ayudhya,
da Tailândia. Seu índice foi 171,22%, implicando em
que gastou US$ 1,7 por dólar que entrou. Mas o desempenho
da banca nacional, no todo, também não foi brilhante.
A média do varejo foi de 75,5%, para um número considerado
ideal de 60%. Com a lista na mão, o mercado passou a discutir
se os brasileiros têm condições de competir
na arena com os estrangeiros, agora que os juros estão caindo
e a época do lucro fácil acabou. Estariam fadados
a tombar ou a ser devorados?
Pelo
ranking da revista inglesa, Unibanco, Itaú e Bradesco estão
ombro a ombro com as boas casas bancárias do mundo. O Unibanco,
com taxa de 55,5%, sai-se melhor que o Citigroup, com 67,6% (nos
Estados Unidos, observe-se, o Citi é considerado um dinossauro).
O Bradesco, que apresentou índice de 68,9% em 1998, melhorou
para 62,7% no ano passado. O Itaú também saiu-se bem,
com 58,1%. Mas a avaliação dos especialistas é
de que esse desempenho dos brazucas só foi atingido graças
à dieta reforçada de juros no País. Sua queda
poderá revelar que eles não têm musculatura
para brigar no mercado global. Os brasileiros não têm
condições de permanecer independentes. Precisam ganhar
em eficiência e escala, diz Alberto Matias, sócio
da consultoria Austin Asis. Nos próximos dois anos, Matias
prevê que os grandes partirão para fusões, que
resultarão em um único bancão nacional. O ex-ministro
da Fazenda, Mailson da Nóbrega, tem opinião semelhante.
Ele acha que, excetuado esse megabanco, só restarão
algumas instituições de nicho. Mesmo casas de
investimento terão de se associar a estrangeiros, avalia.
As
instituições nacionais hoje emprestam pouco, em relação
ao tamanho do mercado consumidor, e cobram juros altíssimos.
Com isso, obtém um lucro gordo e fácil. Com a queda
das taxas básicas, essa gordura tende a diminuir, arrastando
os resultados financeiros. O Banco Central reduziu os juros de 45%
para 16,5% ao ano desde 1998, e agora cobra o reflexo disso na praça.
O presidente do BC, Armínio Fraga, aumentou a fiscalização
sobre o sistema financeiro e já disse que o spread
diferença entre a taxa de juros básica e a efetivamente
cobrada nas agências está elevado demais. Os
títulos federais que as instituições possuem
em tesouraria, responsáveis por boa parte do ganho fácil
dos últimos anos, deixam de garantir vida mansa. Para recuperar
os lucros do passado, será preciso emprestar muito mais,
o que irá minar a tranqüilidade dos preguiçosos.
Segundo os especialistas, os brasileiros são inexperientes
e ineficientes nessa atividade.
Apesar
das desvantagens aparentes, muitos avaliam que os grandes do varejo
ainda têm fôlego para a batalha. Eles são
versáteis e extremamente competitivos. Sobreviveram à
inflação e ao Plano Real, e têm experiência
suficiente para continuar brigando por mercado, diz o ex-presidente
do BC, Gustavo Loyola. Marcelo Bessan, sócio da KPMG, acha
que é possível enfrentar a concorrência estrangeira.
Mas primeiro os brasileiros precisam comer muito arroz e feijão.
É preciso aumentar consideravelmente os investimentos
em tecnologia de crédito, avisa. Acha também
que, como animais globais, os brasileiros podem ganhar escala aliando-se
a combatentes menores. Para competir com os estrangeiros,
uma das saídas é criar forças regionais, como
um banco forte na América Latina, observa.
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