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PESQUISA:
43,6% das companhias procuram fornecedores nacionais
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Carteira
cheia
Empresas
economizam substituindo importação por produção
local
Paula
Pacheco
Quando
o dólar disparou, em janeiro do ano passado, e pegou todo
mundo desprevenido, era impossível prever o que aconteceria
com quem importava para produzir. Havia o risco de aumento de preços
e disparada da inflação ou a quebradeira das empresas.
Um ano e meio depois, já é possível chegar
a uma conclusão mais próxima da realidade. A corrida
atrás de fornecedores locais começou logo depois da
mudança cambial e desencadeou um processo de substituição
de importação nunca visto desde a década de
70. A diferença é que, naquele tempo, tudo começou
com estímulos do governo federal. Desta vez, a busca pela
nacionalização foi provocada pela pressão do
mercado. Uma pesquisa do Bic Banco, recém-saída do
forno, mostra o tamanho dessa movimentação. Das 172
empresas ouvidas, 43,6% daquelas que importam gostariam de trocar
seus fornecedores estrangeiros por locais. A mudança
cambial foi abrupta e levou tempo até que as empresas avaliassem
que a alta do dólar as obrigaria a fugir das importações,
diz Luiz Rabi, economista do banco. No setor automobilístico
isso já vem acontecendo e o setor de autopeças voltou
a ficar aquecido após a alta do dólar.
Do
lado da indústria, a informação do Bic Banco
é confirmada. Segundo previsão do Sindicato Nacional
da Indústria de Componentes para Veículos Automotores
(Sindipeças), o saldo da balança comercial do setor
será positivo cerca de US$ 400 milhões, contra
US$ 85 milhões de déficit do ano passado. Na multinacional
americana Delphi o primeiro semestre foi de trabalho em dobro. A
empresa já vinha adotando o processo de substituição
de importação e no começo do ano tratou de
acelerar seus planos para reduzir custos. No mês passado foi
montado um show-room da Delphi no Sindipeças onde foram expostos
500 itens. O objetivo era encontrar fornecedores nacionais. No mês
que vem o road-show será no Rio Grande do Sul.
Ao todo, o fabricante de autopeças utiliza pouco mais de
10 mil componentes e 47% deles têm procedência estrangeira.
A
busca por parceiros locais não significa apenas um refresco
para a balança comercial brasileira, mas também um
aumento dos investimentos em vários setores. No caso da Delphi,
quase sempre os custos de moldes para a fabricação
de peças são assumidos pela multinacional, ou seja,
a empresa está investindo na indústria nacional para
aumentar seus ganhos. Mas os investimentos fazem outro caminho.
A empresa vai inaugurar uma fábrica de compressores em Jaguariúna
no mês que vem. O negócio, segundo Fernanda Pereira,
diretora-adjunta de compra, vai trazer dinheiro estrangeiro. Fornecedores
de outros países estão vindo para cá por causa
da fábrica, diz.
Quem
também aposta na mudança de fornecedores é
a Fiat. Sempre que um modelo é lançado, entre 10%
e 15% do custo do projeto é investido na nacionalização
das autopeças. No caso do Marea, lançado em maio de
1998, US$ 45 milhões saíram do valor do projeto para
as mãos dos fornecedores. Os investimentos da indústria,
segundo conta o gerente de nacionalização da Fiat,
Antônio Damião, estão revertendo em mais exportações
para os próprios fornecedores. Recentemente o Brasil começou
a exportar rodas e amortecedores para algumas das plantas da multinacional
italiana, como Polônia, Rússia e para a própria
matriz. A montadora, depois do susto da desvalorização,
apressou-se na substituição de importação
e o índice de nacionalização de modelos como
o Marea e o Brava, que era em torno de 50%, chegou em maio passado
a 80%.
Na
francesa Moulinex, dona da marca Mallory, a desvalorização
do real serviu para acelerar a nacionalização dos
produtos. Antecipamos os planos de produzir com componentes
locais, revela Gisela de Almeida, gerente de marketing da
empresa. Em setembro passado, já saía da fábrica
um modelo de cafeteira com índice de nacionalização
de quase 100% e no mês passado foi a vez do liquidificador.
Sem esta mudança, nossos produtos custariam 20% a mais,
calcula ela.
A
caça a fornecedores domésticos só não
é maior porque, às vezes, eles simplesmente não
existem. De acordo com a pesquisa do Bic Banco, mais de 50% das
companhias consultadas não substituíram a importação,
pois não encontraram similares domésticos. É
o caso dos fabricantes de celulares. O Brasil é o único
país de grande porte que não produz componentes para
a indústria de eletrônica de consumo, informática
e equipamentos de telecomunicações, diz Paulo
Roberto Melo, gerente de eletrônica do BNDES. A divisão
de celulares da LG ainda não usa peças nacionais para
montar os aparelhinhos compra tudo de fabricantes asiáticos
por meio da matriz coreana , mas já está atrás
de fornecedores de acessórios, como baterias e carregadores.
Na Motorola a situação é semelhante. Praticamente
todos os componentes vêm da Ásia. Os acessórios
e as embalagens são locais. Nosso sonho é trocar
a importação pelos fornecedores brasileiros, mas é
difícil convencer um estrangeiro a produzir no País
devido à baixa escala que temos, diz Voney Silveira,
diretor de logística da empresa. Com o tempo, isso pode mudar.
A Motorola deve quadruplicar sua produção de celulares
este ano, passando de 2,5 milhões para 10 milhões.
A empresa já fabrica celulares em Jaguariúna para
vendê-los nos EUA.
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