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VALLE,
DA TREND MICRO:: fatura US$ 5 milhões com filtros de
e-mails e sites
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O
dedo duro
Empresas controlam
acesso à Web, punem abusos e cortam custos
Juliana
Simão
Até
1999, todos os funcionários da multinacional Xerox tinham
acesso livre aos computadores da empresa. Durante um mês,
os diretores desconfiaram do aumento excessivo de uso da Internet.
E resolveram instaurar uma investigação sigilosa no
departamento de informática. Alguns meses depois, saía
o veredicto final. Quarenta funcionários foram demitidos
por justa causa. A razão? Navegavam por sites pornográficos
durante o expediente. Detalhe: um de cada cinco acessos à
pornografia é feito dentro de empresas. Após o incidente,
a Xerox passou a ter uma política mundial de restrição
ao uso da rede. Tudo que não agrega valor ao trabalho
deve ser evitado, explica Benjamin Gonzalez Martin, gerente
de sistemas da Xerox brasileira. Entre eles, Martin destaca os sites
pornográficos e de compras on-line. Se o funcionário
quiser, ele pode navegar em sua casa. Na empresa, não.
O caso da Xerox foi emblemático, mas não exclusivo.
Embora não façam alarde, 35% das empresas instaladas
no Brasil já estão equipadas com programas que controlam
o acesso de seus profissionais à rede e à troca de
mensagens, os chamados filtros eletrônicos. Nada que possa
ser comparado a um Grande Irmão virtual. A novidade tem um
objetivo mais realista: cortar custos. E não é pouca
coisa. Pesquisas americanas demonstraram que 40% da navegação
feita em escritórios não está diretamente relacionada
a negócios. Além disso, 20% do tráfego da rede
comercial responde por fotos e bate-papos. Medindo apenas a perda
de tempo dos funcionários, as empresas americanas podem
estar deixando de ganhar algo em torno US$ 20 bilhões ao
ano ou seja, o faturamento anual de uma empresa como a Microsoft.
Além de aumentar a produtividade da equipe, a medida tem
contribuído ainda para evitar as caríssimas contaminações
por vírus e até vazamentos de informações
para a concorrência. Não por acaso, 300 das 500 mais
rentáveis corporações, listadas pela revista
Fortune, adotam uma política restritiva de Internet.
A
Hewlett Packard (HP) também seguiu o mesmo padrão.
A utilização da tecnologia deve ser feita somente
para fins profissionais. Quando o funcionário entra em sites
errados, uma mensagem de bloqueio é aberta em
sua tela. Normalmente, os funcionários param por aí.
A paz reinou por três anos. Há duas semanas, no entanto,
uma troca de mensagens acabou em demissão. Um funcionário
mandou mensagens de conteúdo pornográfico para um
grupo de amigos dentro
da empresa. Por falta de atenção, oe-mail foi enviado
para todos os funcionários da empresa. E caiu na mão
da diretoria, que não gostou nada da brincadeira. É
tudo livre, desde que o uso seja responsável. Em alguns casos,
tomamos atitudes rígidas, lembra Jair Pianucci, gerente
de RH. O que está em jogo é a reputação
da empresa.
A
Alcoa que tem 15 mil funcionários espalhados pelo
mundo e 3 mil só no País quer evitar problemas.
Há algum tempo equipou seus computadores com softwares que
controlam o acesso à rede. Sites de conteúdo pornográfico,
racista ou considerados distrativos, como salas de bate-papo, são
bloqueados. Além disso, a empresa faz um relatório
mensal dos computadores, com dados das horas perdidas na rede, sites
consultados e mensagens trocadas. Em caso de desconfiança,
o funcionário é chamado para explicações.
Se constatamos irregularidades, bloqueamos a Web do funcionário,
adianta Marcos Caldas, diretor de informática. A Alcoa conta
ainda com um programa que estabelece prioridades. Imagens
ou arquivos pesados, como MP3, só podem trafegar fora dos
horários de trabalho, lembra. O resultado desta política?
Os custos anuais de tecnologia com filtros não ultrapassam
US$ 10 mil. Nada significativo perto do retorno que tivemos,
desconversa, sem fornecer números. Mas nem todos contabilizam
ainda a diminuição de custos. Há quase quatro
anos no Brasil, a LG Electonics provê um computador, com acesso
à rede, para cada um de seus 950 funcionários. Em
agosto, começa a controlar o acesso. Acreditamos no
potencial criativo da rede e não queremos policiar ninguém,
explica Mário Kudo, diretor de marketing. Mas há
coisas que não acrescentam. Entre elas, Kudo destaca
sites pornográficos e áreas confidenciais.
Nem
só na indústria de tecnologia os filtros viraram mania.
Na Nestlé, por exemplo, menos de 200 usuários têm
acesso liberado à rede. Mesmo assim, o acesso é monitorado.
Ao entrar na empresa, o funcionário assina um termo de compromisso
de utilização dos computadores. Como a rede
deve ser usada somente para fins profissionais, qualquer mensagem
pode ser verificada pela empresa, lembra Roberto Canton, gerente
de tecnologia da informação. A Nestlé prefere
manter sigilo, mas confirma que também já teve problemas
de uso indevido da rede. Alguns funcionários foram
demitidos, outros advertidos.
Quem
já vem contabilizando lucros são as empresas de tecnologia
que vendem o tal dedo-duro da rede. De olho num mercado
promissor, a japonesa Trend Micro chegou ao Brasil há três
anos. Uma das líderes mundiais do setor, a empresa vem faturando
alto. Em 1999, vendeu US$ 200 milhões em todo o mundo
e deve alcançar US$ 5 milhões no Brasil. Nosso
faturamento dobrou em relação ao ano passado,
comenta José Roberto Ribeiro do Valle, diretor-geral da empresa.
O mercado é tão promissor que a Trend Micro criou
uma área específica de desenvolvimento de produtos
do gênero. Outra empresa que aportou por aqui foi a WebSense,
que começou a vender seus produtos através da Phase2,
empresa que distribui programas de segurança para a rede.
Em menos de quatro meses, conquistou 50 clientes nacionais. Vendemos
US$ 100 mil em filtros de Internet. Isso é apenas 10% do
mercado potencial, diz Fernando Santos, gerente da divisão
de segurança corporativa da Phase2. Os campeões de
venda são os filtros de conteúdo de e-mails e os de
acesso à Web. Não poderia ser diferente.
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