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SEU DINHEIRO/SITES ESTRANGEIROS
Foto: Gustavo Lourenção
GODOY: Queria comprar um mapa
e acabou pagando por três"
Fuja das armadilhas
Problemas e soluções para sua compra em sites estrangeiros

De cada dez pessoas que compram via Internet na América Latina, seis estão no Brasil. Apesar do aumento no número de endereços brasileiros de e-commerce, a maioria das compras ainda é feita em sites estrangeiros. Segundo as empresas de cartão de crédito, a estatística chega a 70% do total de compras virtuais em todo o continente. Olhando esses números é difícil imaginar que, em muitos casos, comprar num site fora do Brasil pode exigir uma operação de guerra. Algumas lojas virtuais não despacham mercadorias para fora de seus países e há casos em que o atraso na entrega pode chegar a meses. Para fugir disso, muitos internautas montam verdadeiros “esquemas” para fazer suas compras, como por exemplo fornecer o endereço de um amigo no exterior ou pedir para alguém que está de passagem pelo país trazer a mercadoria dentro da mala. O problema é tão comum que virou uma oportunidade de negócio. A administradora de cartões Mastercard, por exemplo, promete acabar com esse malabarismo de seus clientes através de um novo serviço, o Masterdelivery, que deve ser lançado nas próximas semanas. A idéia é simples e funcional: a Mastercard vai disponibilizar um endereço de entrega em Miami para compradores de lojas virtuais restritas ao território americano. A empresa se encarrega ainda do transporte e da entrada da mercadoria no Brasil, e promete prazos menores e fretes mais baratos.

“O cliente vai ter a comodidade de não se preocupar com o despacho burocrático e ainda poder pagar tudo na fatura do cartão”, explica Alexandre Magnani, diretor de e-business da Mastercard que, a princípio, vai oferecer o serviço para usuários de cartões virtuais e, depois, para seus clientes com cartões internacionais. Um serviço como esse pode não ser a solução definitiva mas vai ajudar num dos problemas mais comuns do tráfego na web: não enxergar as fronteiras do site de compras. Foi o que fez o empresário paulista Walter Godoy, que há dois anos comprou um mapa numa loja virtual que não fazia remessas para o Brasil. Depois de uma semana, ele recebeu uma mensagem cancelando a compra. Então, foi a outro site e adquiriu o mesmo produto pelo dobro do preço. Quinze dias depois, recebeu um aviso informando que excepcionalmente sua primeira encomenda havia sido aceita. Resultado: na tentativa de ter um mapa, ele pagou o preço de três. “Passei a ficar mais atento e hoje já não compro tanto pela Internet”, afirma.

Na clandestinidade. Aos que preferem usar o endereço de um amigo no exterior e depois trazer a mercadoria na mala para driblar restrições em sites vale um conselho: “Você estará burlando a lei. Se for pego, terá de confessar sua má-fé e a evasão fiscal”, diz Maristela Basso, professora de direito da USP, especialista em comércio eletrônico. “Você não está garantindo que é o comprador, portanto, perde o direito de reclamar”, completa a advogada Maria Inês Dolci, consultora do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec). Outra dor de cabeça comum é não ter para quem reclamar. Isso pode ser evitado, em parte, escolhendo sites conhecidos, de preferência em grandes provedores. No caso de falha no produto (mercadoria errada ou com defeito) você pode acionar a filial da empresa no Brasil – se houver – ou vai ter que entrar na Justiça no país de origem do site. O mais comum, no entanto, são atrasos na entrega. Em 90% dos casos eles acontecem por falta de estoque. Para monitorar isso opte por uma empresa de entrega com sistema de rastreamento.

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