 |
|
RANKING:
pesquisa revela que quatro das cinco marcas mais valiosas
pertencem à Nova Economia
|
A
era das marcas
Como
e por que a assinatura de uma empresa tornou-se o seu principal
ativo
Joaquim
Castanheira
Se
ocorresse anos atrás, o processo antitruste movido pelo governo
americano contra a Microsoft levaria a empresa de Bill Gates à
bancarrota. Na semana passada, porém, uma pesquisa divulgada
nos Estados Unidos revelou que os tempos são outros. Segundo
estudo da Interbrands, uma das mais conceituadas consultorias americanas
de marketing, a marca Microsoft vale US$ 70,2 bilhões, um
crescimento de 24% em relação ao ano anterior. Ou
seja, na visão do mercado, o inferno astral nos tribunais
não tem sido forte o bastante para ofuscar o brilho da companhia.
Graças a isso, encostou na líder histórica,
a Coca-Cola, cujo valor caiu para US$ 72,5 bilhões.
Pode-se
ler os resultados da pesquisa com olhares diversos. Um deles é
que as marcas das empresas de tecnologia dão um banho de
valorização nas tradicionais quatro das cinco
primeiras colocadas pertencem à Nova Economia. Só
a Amazon, que não sabe o que é um azul nos balanços,
cresceu 233%.
Mas
a principal lição que se pode extrair desse levantamento
é a seguinte: o mundo dos negócios ingressou definitivamente
em um novo período, a era do reinado das marcas. Trata-se
de um momento em que máquinas, fábricas, grandes linhas
de montagem e até mesmo lucro, razão de viver de todas
as empresas, já não têm tanto valor assim. Hoje,
a marca é o ativo mais valioso das corporações.
É uma nova fase da economia, que vem depois da consolidação
da revolução industrial no final da década
de 70, diz José Roberto Martins, consultor especializado
no gerenciamento de marcas.
É
possível até determinar o momento da virada. Em 1985,
a Kraft, um gigante do setor alimentício, fez uma oferta
para adquirir uma das concorrentes, a Nabisco. Negócio de
US$ 25 bilhões, um recorde para a época. Analistas,
no entanto, verificaram que o patrimônio da Nabisco não
valia tanto. A conclusão: o principal interesse da Kraft
era ficar com a poderosíssima marca da Nabisco. Por quê?
Motivo número 1: as companhias atingiram um nível
tecnológico semelhante. O diferencial, então, foi
transferido para a imagem da empresa ou produto, representada pela
marca. Pense bem: há diferenças tecnológicas
significativas entre um Corsa ou um Fiesta? Realmente não.
O cliente escolhe um ou outro porque prefere GM ou Ford. Elas
pesam mais do que o próprio produto, diz Martins.
O
empurrão final para a explosão no valor das marcas
veio com a globalização. As empresas precisavam ter
uma única assinatura para atuar nos mais diversos mercados
e, assim, utilizar os mesmos processos e as mesmas ferramentas de
marketing. A partir daí, as marcas atingiram valores até
então impensáveis. Juntas, as 75 mais valiosas somam
cerca de US$ 910 bilhões, ou seja, mais do que o PIB brasileiro.
|