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CORRIDA:
Caemi e Ferteco são
as mais cobiçadas do mercado
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A
corrida do minério
Estrangeiros
e Vale disputam empresas do Brasil
Os
irmãos Frering, Mário e Guilherme, herdeiros de Augusto
Trajano de Azevedo Antunes, fundador da Caemi, andam inquietos nos
últimos tempos. Recentemente, foram procurados por executivos
da North Limited, a gigante australiana da área de mineração,
interessada em entrar no mercado brasileiro. A britânica Billiton
e até a poderosa Companhia Vale do Rio Doce teriam feito
seus lances. A Caemi é avaliada em R$ 850 milhões
e o pedaço dos irmãos Frering, detentores de 20% do
capital total, pode chegar a R$ 170 milhões, sem considerar
o ágio relativo à transmissão do controle,
prêmio tradicional nestas operações. Os jovens
controladores da Caemi, o quarto maior grupo exportador de minério
do mundo, com vendas que chegam a R$ 1,2 bilhão por ano e
reservas de 1,4 bilhão de toneladas, buscam, em silêncio,
fazer a melhor jogada. Procurados pela DINHEIRO, eles preferiram
não se manifestar sobre o assunto.
Este
é um dos mais importantes capítulos da corrida internacional
que está sendo travada por aqui. Desde que a economia mundial
deu mostras de aquecimento consistente, a produção
de minério de ferro do Brasil transformou-se em um tesouro.
O País tem posição privilegiada neste mercado
por ser dono do produto de melhor qualidade. O teor médio
de ferro apresentado nas minas nacionais é de 65%, contra,
por exemplo, o índice de 56% na Austrália. A maior
empresa do setor, com produção de 125 milhões
de toneladas anuais, é brasileira. A Vale do Rio Doce conquistou
este título ao adquirir recentemente as concorrentes Samitri,
Samarco e Socoimex. De toda a movimentação mundial
de minério de ferro, 30% são do Brasil.
Enquanto
tenta ampliar seus domínios, a Vale sofre o assédio
de grupos internacionais. As peças neste jogo bilionário
mudam a cada instante. O megainvestidor George Soros acaba de vender
sua participação de 3% na companhia ao Bank of America,
que, por sua vez, procura compradores para esta fatia. A própria
Billiton e a norte-americana Anglo America já teriam demonstrado
interesse neste negócio, de acordo com analistas de mercado.
Além disso, a North estaria de olho na Ferteco, mineradora
brasileira dona de produção anual de 20 milhões
de toneladas, controlada pelo grupo alemão Tyssen Krupp.
O reaquecimento econômico mundial está definindo
toda essa movimentação, afirma Luciana Massaad,
analista da corretora Fator Doria Atherino. A necessidade
de investimentos e o contexto internacional de grandes fusões
levam os controladores a buscar sócios fortes, diz
Carlos Antônio Magalhães, consultor da Sirotsky &
Associados.
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