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NEGÓCIOS/EXCLUSIVO
Foto: Gustavo Lourenção
JEREISSATI: "Na Telemar, quem demite sou eu"

DINHEIRO – Quem é o empresário Carlos Jereissati?
CARLOS FRANCISCO JEREISSATI – Meu pai morreu em 1963. Eu tinha 17 anos. Com 19, vim para São Paulo. Desde que cheguei aqui o que tenho feito é desenvolver atividades na área empresarial. Eram três negócios fundamentais. Uma fábrica de fechaduras, uma pedreira e um moinho de trigo. O moinho de trigo é no Ceará, o Grande Moinho Cearense, e existe até hoje. A fábrica de fechaduras era a La Fonte e foi vendida há dois anos para outra empresa. A pedreira se exauriu e foi desapropriada no governo da Luiza Erundina. Eu gosto de frisar que desde 1966 até 1998, atuei na área privada não ligada ao governo. Não presto serviço, não compro, não vendo, não intermedio para o governo.

DINHEIRO – Quais as outras áreas em que o Grupo La Fonte atua?
JEREISSATI – Fundamentalmente na imobiliária, de telecomunicações e de alimentação (moinhos de trigo). Vendemos a área de metalurgia e vamos nos concentrar nestas três agora. Na política, não.

DINHEIRO – O senhor fala por telefone com seu irmão?
JEREISSATI – Você há de convir que há uma faixa que deve ser mantida. Ele tem uma carreira de político e eu tenho de empresário. E não pode haver confusão de que a vitória de um esteja ligada à dependência de outro. Ou ele ganhou a eleição porque eu financiei ou eu ganhei um negócio porque ele ajudou. Fica uma relação incestuosa e mal vista. Então a gente faz absoluta questão de manter as coisas separadas e não contar um para o outro, quando isto é um assunto objeto do ofício.

DINHEIRO – Empresários brasileiros vão poder controlar setores privatizados ou os estrangeiros vão acabar levando vantagem?
JEREISSATI – Esse talvez seja o ponto central. O empresariado nacional não é melhor nem pior do que seus pares nos EUA e na Europa. O problema é que ele não tem acesso ao capital e quando tem é a custo absolutamente incompatível. O primeiro grande desafio do empresariado nacional é a existência de capital disponível para empréstimo. Segundo, ter acesso a ele. E terceiro, a um custo internacional.

DINHEIRO – E o BNDES?
JEREISSATI – O BNDES e os fundos são os únicos investidores brasileiros de longo prazo, a um custo imensamente superior aos internacionais. Mas ainda bem que eles existem, porque senão haveria rigorosamente nada.

DINHEIRO – Então qual é o papel do BNDES?
JEREISSATI – O problema do BNDES pode ser resolvido de uma maneira mais favorável ao desenvolvimento nacional. Os interesses que vêm prevalecendo nos últimos 20 anos, que são os financeiros, devem ser relegados ao plano que lhes cabe. Esse é um problema de estratégias e de prioridades de governo. Se o objetivo for o desenvolvimento controlado, selecionado e um bem estar da população ajuizado, os interesses financeiros não devem sobrepujar os interesses vitais da nação, como tem feito nos últimos 25 anos.

DINHEIRO – O senhor pode analisar o papel dos fundos de pensão no processo de privatização?
JEREISSATI – Sem os fundos de pensão não teriam sido possíveis nenhuma das privatizações. Cumpriram seu papel histórico, o de ser investidor de longo prazo em negócios de reconhecida rentabilidade: energia, telecomunicações e eventualmente siderurgia. Você pega a Previ, o fundo dos funcionários do Banco do Brasil. Ele tem um papel fundamental na CPFL, na Vale do Rio Doce e na Telemar. A Previ comprou na privatização 10% da Telemar e detinha aproximadamente de 6% a 7% da carteira própria. O papel da Telemar na bolsa, quando foi comprada, valia 1/5 do valor pago ao Tesouro Nacional pelo pacote de controle. Hoje, já está valendo 60%. Ou seja, a Previ já recuperou esse investimento. Ela já saiu de R$ 6 o lote de mil ações, em setembro de 1998, para algo em torno de R$ 42. E pelo desenvolvimento da Telemar, esse valor vai crescer 50% nos próximos 12, 15 meses. E a Telemar era o patinho feio na época da privatização.

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