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JEREISSATI:
Para os concorrentes,
o empresário é um predador
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O
misterioso empresário Jereissati sai da sombra e conta como
fez um dos maiores impérios do brasil
O
homem forte da Telemar diz que tem dinheiro de sobra para investir
na telefonia
Expedito
Filho e Fernando Thompson
Empresário
Carlos Francisco Jereissati, 54 anos, homem forte do consórcio
de telefonia Telemar, saiu das sombras de alma lavada. Em seu gabinete
no Market Place, no bairro do Morumbi em São Paulo, ele nem
de longe lembra o temido empresário que há dois anos
uniu a La Fonte Participações S/A, uma das maiores
empreendedoras de shopping centers do País e da qual é
presidente, às empresas nacionais Inepar, Andrade Gutierrez
e Macal no grupo que seria a grande surpresa do processo de privatização
do Sistema Telebrás. O lance rendeu a Jereissati 14,58% da
segunda maior companhia de telefonia fixa da América Latina,
com 10,7 milhões de assinantes e valor de mercado de mais
de R$ 17 bilhões perde apenas para a mexicana Telmex,
com 10,8 milhões de clientes. Mas também colocou-o
sob os holofotes de que sempre fugiu, apontado como o responsável
pelo chamado escândalo do grampo do BNDES, que acabou resultando
na demissão de dois dos principais nomes do primeiro escalão
do governo. A Telemar, na época injustamente chamada
de Telegangue, hoje é a estrela da Bolsa, afirmou Jereissati
à DINHEIRO, numa rara e exclusiva entrevista. Trata-se de
um desabafo. Na ocasião do escândalo, dizia-se que,
por reunir empresas com pouca ou nenhuma intimidade com telecomunicações,
a Telemar estava fadada ao fracasso. Falava-se também que
o dono da La Fonte entrou no negócio movido pela especulação
e que sairia dele assim que pudesse. Até agora, nem uma nem
outra previsão se confirmaram.
Ao
olhar para trás, Jereissati avalia que existiam sim interesses,
mas do outro lado entre os que comandavam o processo de privatização.
Reforçada pelo ingresso do Banco Opportunity, que assumiu
a posição da Inepar, a Telemar é hoje uma empresa
pacificada. Existem, aqui e ali, choques, mas que não chegam
a abalar a harmonia da sociedade. Pode escrever: estamos unidos,
diz. O grupo já contratou o banco francês Lazard Ferrer
para encontrar um sócio estrangeiro e já tem até
o perfil do candidato a parceiro no negócio. É um
grupo, preferencialmente, norte-americano, que tenha know-how no
setor e capacidade de agregar valor à companhia. Além
disso, tem de se contentar com uma participação máxima
de 20% do capital. E mais: do ponto de vista financeiro, a Telemar,
que controla 16 operadoras de telefonia fixa da região Sudeste
à região Norte, está vivendo seus melhores
dias. Tanto que, segundo Jereissati, pagará antecipadamente
ao Tesouro Nacional os R$ 1,5 bilhão referentes à
compra da companhia no leilão de privatização.
Os números da empresa são impressionantes: em 20 meses,
cresceu 40%. Somente este ano serão investidos R$ 3 bilhões
e outros R$ 4 bilhões no próximo. A Telemar
não se dobra, garante. O cearense Carlos Francisco
Jereissati também não se curva com facilidade. Desde
que o pai Carlos Jereissati morreu de infarto aos 44 anos, pegando
os seis filhos ainda menores de idade, ele chamou para si a responsabilidade.
E não titubeou. Aos 17 anos, iniciou sua vida de homem de
negócio. Somente 35 anos depois é que sentiu, pela
primeira vez, o medo de sair derrotado. Chegou a pensar em deixar
a empresa no auge do escândalo do grampo BNDES, mas hoje reconhece
que seria um erro. Ao longo dos anos, Jereissati casado e
pai de 3 filhos, com formação em economia pela Universidade
Federal do Rio de Janeiro provou ter o toque de Midas. Em
1978, comprou, com ajuda de um financiamento chapa branca da CEF,
12 prédios do empresário Alfredo Matias no Portal
do Morumbi e uma pequena participação no Shopping
Iguatemi, um negócio que começava a florescer. Vendeu
os 12 prédios em 48 horas.
Intuitivamente,
optou por ficar apenas com a participação no Iguatemi.
Erguia-se, assim, a poderosa rede de nove shoppings espalhados por
todo o País, amparados debaixo do guarda-chuva da La Fonte
Participações S/A. O grupo possui também uma
fatia do Shoping Iguatemi do Ceará, cujo controle pertence
a seu irmão, o governador Tasso Jereissati, um tucano de
alta plumagem e vôo regional. Criou-se o mito de que os dois
irmãos são inimigos. Bobagem. Diferenças existem,
claro. Tasso limita sua atuação empresarial ao Ceará
e prefere a política à vida de homem de negócios.
Carlos, que escolheu os negócios, ampliou sua atividades
para todo o País. Os concorrentes é que não
perdoam. Classificam Jereissati como um predador. Sua agressividade
no reino da atividade econômica é proporcional a sua
capacidade de se recolher. Para sobreviver no mundo dos negócios,
quase nunca concede entrevistas. Abriu uma exceção
e o resultado vem a seguir:
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