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NEGÓCIOS/AUTOPEÇAS
Foto: Gustavo Lourenção
TRONCHETTI, PRESIDENTE: Investimento de US$ 500 milhões em 80 pequenas unidades
em todo o mundo

As minifábricas da Pirelli
Fornecedor agora produz ao lado de montadoras

Fabiane Stefano, de Milão

Nos últimos três anos, uma equipe de executivos da Pirelli trabalhou em absoluto sigilo na sede da empresa, em Milão. Do projeto que o time estava desenvolvendo só se sabia o nome: Mirs. Agora, a gigante italiana decidiu apresentá-lo ao mercado mundial. Ao custo de R$ 100 milhões, surge no bilionário negócio de pneus a Modular Integrated Robotized System, tecnologia que modifica radicalmente o processo de produção, automatizando-o do início ao fim, quase sem contato humano. Com o Mirs, a Pirelli coloca em prática um ousado plano: substituir as grandes fábricas por unidades menores, estrategicamente colocadas ao lado dos grandes clientes. Serão fábricas compactas, ideais para suprir a demanda diária das montadoras de veículos. Nestas pequenas unidades o ciclo de comercialização será on-line, num programa que ganhou o nome de e-Pirelli. Da compra da matéria-prima à venda do produto, tudo será feito com um clique no mouse. “A nova economia abraça a velha economia e nasce a e-fábrica”, resume Marco Tronchetti, presidente mundial do grupo.

Todas essas mudanças fazem parte de uma fórmula que a Pirellli encontrou para se tornar mais atrativa aos investidores. “Por que não mudar, se todo o mundo mudou?” pergunta Oscar Cristianci, superintendente da Pirelli na América Latina. Dois dias depois do anúncio do projeto Mirs, o mercado deu a resposta: as ações da empresa subiram 3% na Bolsa de Milão. A companhia planeja investir US$ 500 milhões em 80 módulos Mirs nos próximos três anos. Alemanha, Inglaterra e Japão serão os primeiros destinos da nova tecnologia. “O Brasil está nos planos da empresa, mas não para agora”, diz Tronchetti.

As novas unidades que abrigam o Mirs em nada se assemelham às imensas fábricas de pneus construídas no pós-guerra. São compactas, limpas e completamente robotizadas. No sistema tradicional, eram necessários seis dias entre a preparação da matéria-prima até a vulcanização (fundição da borracha). Agora, em 72 minutos o produto está pronto. O impacto no custo é imediato: 25% menos. Os clientes, sobretudo as montadoras, agradecem.

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A Petrobras teve um lucro recorde de US$ 4,5 bilhões no primeiro semestre deste ano. Isso poderá aumentar os dividendos para quem comprou ações da estatal, que terá de investir quase R$ 2 bilhões para recuperar boa parte dos dutos que transportam o petróleo que ela produz. Eles estão velhos e podem causar mais um acidente. A estatal foi responsável por dois dos maiores vazamentos de que já se teve notícia no país. Você compraria as ações desta companhia? Por quê?

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