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AULAS
NA HORTA: ex-catadores de lixo aprendem agora a cultivar verduras
e legumes
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Uma
semente de esperança
Orsa
destina R$ 7 milhões para projetos sociais
RICARDO
OSMAN
A pequena
Michele de Oliveira Ferreira viveu boa parte de seus 8 anos no lixão
de Carapicuíba, cidade da região metropolitana de
São Paulo. Nos montes de lixo, ela catava latas com a mãe,
à tarde e início da noite, e depois as vendia para
aumentar a renda familiar. Sofreu com o mau cheiro e com as histórias
pavorosas de que, volta e meia, pessoas mortas eram encontradas
no local. Mas esta terrível realidade já não
faz mais parte de suas tardes. Michele e outras 39 crianças,
a maioria ex-catadoras, têm agora a oportunidade de cavucar
em outro terreno, onde há dignidade e esperança. Elas
foram retiradas do lixão e, desde então, aprendem
a cultivar cenoura, couve-flor e mandioca na horta do projeto Oficina
Pedagógica, da Fundação Orsa, do grupo do setor
de papel e celulose. Em agosto, a mudança radical na infância
destas crianças vai fazer um ano. Um furgão da fundação
as busca todas as tardes, nos bairros pobres de Carapicuíba,
para horas de lazer e de reforço escolar na sede da entidade.
Com a ajuda de voluntários, elas têm momentos de animada
convivência na plantação.
A
Fundação Orsa, criada em 1994, tem outros 46 projetos
espalhados pelo País. Faz um trabalho expressivo voltado
para crianças e adolescentes, de 7 a 11 anos. Atende atualmente
14 mil jovens, todos considerados em situação de risco
pessoal e social. O Grupo Orsa, dono do Projeto Jari, no Pará,
destina 1% de seu faturamento bruto para a entidade. Este ano, R$
7 milhões saíram do cofre para as crianças.
Os projetos vão da ajuda à criança com câncer,
em programa ligado ao Instituto de Oncologia Pediátrica,
da Escola Paulista de Medicina, às aulas de música
dos adolescentes de Campinas, integrantes da banda Bate-Lata. Nossa
maior gratificação é quando conseguimos transformar
a vida de uma criança, conta o vice-presidente da entidade,
José Aparecido Montagnana. A missão é cultivar
em todas elas a esperança. Na semana passada, depois de brincar
na horta, Michele mostrou que o Grupo está colhendo bons
frutos com este investimento. Quando eu crescer, quero ser
professora, anunciou ela. Sua amiga, Valéria Cristina
da Silva, de 8 anos, surpreendeu ao dizer que deseja, no futuro,
ajudar os pobres para que não morram de frio.
Os melhores sonhos e o nobre sentimento de solidariedade desabrocham
nas ex-catadoras do lixão. Sinal de que uma boa semente foi
plantada.
Fundação
Orsa
tel: 0xx11 7281-2232
e-mail: valeria@grupoorsa.com.br
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