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EDUCAÇÃO:
lucratividade de 10% e 15% atrai
o investimento dos bancos
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Investimento
nota 10
Bancos descobrem que escolas são um grande negócio
Lúcia
Kassai
Um
velho princípio diz que, se um banqueiro tira dinheiro do
bolso para botar em algum lugar, é porque dali sairá
muito mais do que entrou. Quem se guia por essa lógica deve
olhar com carinho para o setor de educação. É
nele que bancos conhecidos por sua agressividade, como o Garantia
e o Pactual, estão colocando R$ 125 milhões. O setor
movimenta R$ 90 bilhões por ano no País, trabalha
com escala cada vez maior e apresenta margens de lucratividade entre
10% e 15% ao ano de fazer inveja às grandes redes
de supermercados, que também dependem do volume de operações,
mas cujas margens ficam na tímida faixa do 1%.
Muita
gente acha que somos loucos, mas vamos provar o contrário
dentro de três ou quatro anos, acredita Oliver Mizne,
diretor do CSFB Garantia, que montou um fundo de R$ 40 milhões
chamado Pluris. Ele comprará participações
em universidades, escolas de ensino médio e fundamental,
escolas de idiomas, centros de treinamento e empresas de ensino
à distância, por meio da Internet. Somos os pioneiros
nessa corrida do ouro, diz Mizne, que espera um retorno superior
ao Ibovespa, entre 30% e 40% ao ano.
Educação
é um grande negócio. No Brasil, são 54 milhões
de alunos em 320 mil escolas e universidades. Nos últimos
cinco anos, o ensino médio cresceu a uma média de
11,5% ao ano. Com mais gente concluindo o 2º grau, a pressão
por uma vaga na universidade também aumentou. Com as vagas
praticamente congeladas nas universidades públicas, 62% das
matrículas hoje são feitas no ensino particular. O
número de universitários saltou de 1,7 milhão
em 1994 para 2,3 milhões no ano passado. A escolaridade do
brasileiro está melhorando e se reflete no contra-cheque
no fim do mês. Cada ano de escolaridade corresponde
a um acréscimo médio de 15% no salário,
calcula Marcelo Serfaty, sócio do Pactual.
O
governo vem deixando espaço também para os colégios
privados. Só em São Paulo são 10,3 mil escolas
pagas da pré-escola ao 2º grau. Elas não têm
do que reclamar. Em 11 anos no setor, vi duas ou três
escolas fecharem, diz Dolores Vannucci, do Sindicato dos Estabelecimentos
de Ensino do Estado de São Paulo, que representa as escolas
particulares. Segundo o economista Cláudio Haddad, estrela
que deixou o mercado financeiro para se tornar sócio do Ibmec
instituto de graduação e pós-graduação
, o negócio é altamente rentável. Prova
é que as escolas nem pegam empréstimos em bancos
investem capital próprio, teoriza. O setor tem atraído
a atenção de gente que não é da área.
Um dono de posto de gasolina me disse que quer abrir uma escola
porque os negócios não vão muito bem.
De
olho nos negócios com educação, saúde,
mídia e marketing, o Pactual montou o Fundo Pactual Internet,
que captou R$ 75 milhões. No ramo da educação,
o objetivo é comprar participações em empresas
de ensino pela Internet e de desenvolvimento de programas de computador.
O uso de tecnologia nas escolas é muito baixo. Há
um enorme potencial de crescimento, diz Serfaty. Já
o Garantia está fazendo uma aposta no longo prazo. Oliver
Mizne acredita que as escolas passarão por uma fase de consolidação,
com fusões e aquisições, abertura de capital
ou colocação privada de ações, como
acontece nos Estados Unidos. É dessa fase que deve
vir a grande parte da receita para o banco, prevê. Nos
Estados Unidos o Education Group, braço do CSFB na área
de educação, captou US$ 905 milhões para escolas
desde 1996.
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