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COMÉRCIO
EM TÓQUIO: nem feriado consegue
fazer os japoneses tirarem dinheiro do colchão
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Um
banco central de cabeça para baixo
No Japão, questão é se os juros devem sair de 0%
O presidente
do Bank of Japan, Masaru Hayami, está tendo seus dias de
Alan Greenspan. Assim como o presidente do americano Federal Reserve,
Hayami, à frente do banco central japonês, anda às
voltas com uma autêntica polêmica nacional sobre se
deve ou não elevar os juros. A diferença é
que, do outro lado do mundo, as taxas continuariam mais magras que
sushi diet. Hayami pretende tirar os juros japoneses de zero, nível
em que estão desde fevereiro do ano passado. Ele nem tenta
disfarçar o desconforto diante de uma taxa tão exótica.
A política de juros em vigor, segundo ele, é anormal.
Mas deixar a anomalia para trás não está sendo
fácil. A resistência a uma alta de mísero 0,25
ponto percentual já encontra eco do outro lado do planeta,
nos Estados Unidos. Hayami faz questão de afirmar que vai
elevar os juros tão logo quanto possível.
Os
juros foram zerados no ano passado como tentativa desesperada do
Bank of Japan de fazer os japoneses tirarem o dinheiro do colchão.
A economia do país patinou na estagnação durante
os anos 90 devido à aparentemente incorrigível mania
dos japoneses de poupar. Antes de anular os juros, o governo já
tentara os mais heterodoxos artifícios imagináveis
para fazer o povo consumir. Houve distribuição de
abonos em forma de cupons, que só tinham valor para compras,
e foram criados feriados para levar os japoneses a sairem às
ruas. Tudo insuficiente para fazer o dinheiro voltar a circular.
O nocaute das taxas de juros foi recurso de última instância,
mas acabou sendo dos mais eficientes. O consumo cresceu, as empresas
lucraram mais e a economia começou a dar os primeiros sinais
de recuperação. Habituado com a estagnação,
Hayami viu logo risco de inflação futura e meteu na
cabeça a decisão de pregar um aumento na taxa. Os
críticos, porém, foram duros. Um dos mais célebres,
o ex-ministro das finanças Eisuke Sakakibara, o Mr. Iene,
qualificou a proposta de fundamentalismo monetário.
E alertou para o risco de um indesejável fortalecimento do
iene, que prejudicaria as exportações japonesas.
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