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REICHSTUL
E OS RIOS POLUÍDOS: Certificação
ambiental ISO 14.001
não valeu para nada
na refinaria do Paraná
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A
sujeira da Petrobras
Novo vazamento mancha imagem da empresa
Fabiane
Stefano
O presidente
da Petrobras, Henri Philippe Reichstul, esperava convocar a imprensa
na semana passada para anunciar que a empresa havia atingido a excelência
em matéria de proteção ambiental. Porém,
181 dias depois do derramamento de 1,29 milhão de litros
de óleo na Baía de Guanabara, a boa notícia
deu lugar, no domingo 16, a um desastre. No Paraná, a Refinaria
Presidente Getúlio Vargas (Repar) despejou 4 milhões
de litros de óleo cru nos rios Barigui e Iguaçu, no
que se transformou no maior vazamento ocorrido em rios do País.
O acidente deve custar aos cofres da maior companhia nacional cerca
de R$ 200 milhões em multas, limpeza da área e indenização
de pescadores. Perto do faturamento da empresa, estimado entre US$
8 bilhões e US$ 10 bilhões em 2000, a multa chega
a ser pequena, mas o estrago administrativo e político é
monumental. O governo, maior acionista da Petrobras, quer promover
demissões na cúpula da empresa. Os primeiros da fila
são Albano de Souza Gonçalves, diretor de logística
e abastecimento, e Luís Moreira, superintendente da Repar.
Enquanto
governo e empresa discutem as implicações políticas
do caso, o que mais intriga aos verdes é que em abril a refinaria
que sujou os rios paranaenses recebeu o selo ISO 14001, certificado
em excelência ambiental que em dois anos foi concedido a 200
empresas brasileiras. O carimbo da Petrobras foi emitido pela American
Bureau of Shipping (ABS), multinacional americana com sede em São
Paulo. O vazamento da Repar desmoraliza a marca ISO no Brasil,
diz Fernando Gabeira, deputado do PV. Ele planeja questionar os
critérios de concessão do selo na Comissão
de Meio Ambiente da Câmara ainda na primeira semana de agosto.
No Brasil, apenas o Inmetro pode credenciar entidades e empresas
a realizarem a auditoria que avalia, no caso do ISO 14001, a capacidade
de resposta em situações de emergência ambiental.
Para detectar o vazamento de óleo, a Petrobras demorou duas
horas. Gabeira acusa o método de avaliação
de ser muito liberal. Petrobras, Inmetro e ABS afirmam
em uníssono que o certificado não elimina a hipótese
de acidentes. Conseguimos controlar o acidente em 72 horas.
Por isso, não há motivo para questionar o trabalho
da ABS, disse Irani Carlos Varella, superintendente de meio
ambiente e segurança da Petrobras, ao repórter Luciano
Dias. O fato é que a Repar deverá sofrer nova auditoria
e, dependendo do resultado, pode até perder o certificado.
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