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ECONOMIA/CONSELHO DOS CONTRIBUINTES

Foto: Carlos Goldgrub/Reflexo

FORO SOMBRIO: grupo julga casos com rapidez
e desperta polêmica

O conselho Fazenda
Decisões polêmicas marcam a côrte da Receita Federal encarregada de julgar disputas sobre impostos

Estela Caparelli

Um prédio cinzento no setor comercial de Brasília esconde um atalho sinuoso e atraente para os interessados em apressar o julgamento de pendências milionárias com a Receita Federal. É um espaço de dez andares onde, durante uma semana a cada mês, se reúnem os integrantes do Conselho dos Contribuintes, efetivo de mais de uma centena de pessoas encarregado de intermediar renhidas quedas-de-braço entre o governo faminto por impostos e quem se julga lesado por este apetite. Vinculado ao Ministério da Fazenda, o Conselho é uma alternativa à Justiça comum. Seus integrantes são escolhidos paritariamente pelo próprio ministério e por entidades da sociedade. Apenas neste mês, suas salas sediaram três disputas que, somadas, ultrapassaram a marca de R$ 2 bilhões em interesses. Num destes casos, a Transbrasil derrotou o governo, que viu decolarem para longe de seus cofres R$ 350 milhões. Nos outros dois, porém, o resultado foi inverso: o Banespa foi condenado a pagar R$ 1,8 bilhão e a Embratel, R$ 65 milhões.

Para submeter uma causa ao Conselho, cuja decisão é sempre mais rápida do que uma sentença judicial, é preciso bancar um depósito de 30% do valor em disputa. Um sorteio irá determinar qual turma julgará o caso. A distribuição é feita por tipo de imposto em discussão: de renda, taxas de comércio exterior e contribuições sociais. Sete andares são ocupados por disputas de Imposto de Renda. Ali, no chamado Primeiro Conselho, seus 64 integrantes julgaram 1.289 casos este ano, dos quais 620 a União perdeu total ou parcialmente.

As sessões despertam polêmica. Em 14 de março, o Conselho decidiu baixar de R$ 35 milhões para R$ 23 milhões um crédito tributário da Construtora Ikal, do empresário Fábio Monteiro (sócio do ex-senador Luiz Estevão) em um caso de sonegação fiscal de dinheiro obtido na construção do TRT. Os conselheiros não viram fraude nos registros falsos da Ikal mostrando a saída de R$ 3,3 milhões para investimento em uma empresa no Panamá, a Real State. DINHEIRO apurou no processo penal que tramita na Justiça Federal que o dinheiro não foi para o Panamá, mas ficou em Brasília mesmo, na conta da Contrec, uma empresa de construção civil, após uma triangulação com a Miami Trading, empresa de fachada com sede em um apartamento na capital da Flórida. O mesmo dono da Contrec – Carlos Giotto – é proprietário da Miami Trading.

Outro caso picante envolveu a distribuidora de produtos farmacêuticos Panarelo. A decisão sobre uma disputa de R$ 110 milhões foi adiada porque a empresa teria usado em 1999 os serviços de consultoria da delegada da Receita Federal em Brasília, Leliana Rolim, para a sua defesa no caso contra a própria Receita. A funcionária teve sua demissão solicitada, mas continua nos quadros do órgão arrecadador do governo. Novas reuniões do Conselho estão marcadas para a primeira semana de agosto, quando outra vez interesses de bilhões estarão em jogo.

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A Petrobras teve um lucro recorde de US$ 4,5 bilhões no primeiro semestre deste ano. Isso poderá aumentar os dividendos para quem comprou ações da estatal, que terá de investir quase R$ 2 bilhões para recuperar boa parte dos dutos que transportam o petróleo que ela produz. Eles estão velhos e podem causar mais um acidente. A estatal foi responsável por dois dos maiores vazamentos de que já se teve notícia no país. Você compraria as ações desta companhia? Por quê?

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