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VENDEDOR
DE ARROZ: Fã de cooperativas,
oferece seus produtos
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O
bigode das mil faces
RS lidera avanço industrial. E Olivio capitaliza com tacadas
de Marketing
André
Jockyman, de Porto Alegre
Só
ficou o bigodão. A onipresente camisa vermelha dos tempos
da campanha eleitoral foi aposentada em favor de ternos escuros
clássicos. O discurso ideológico que eriçava
os cabelos dos empresários deu lugar a um pragmatismo coroado
pelos números aferidos pela Fundação Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): o Rio Grande
do Sul do governador Olívio Dutra, do PT, exibe hoje o índice
de crescimento industrial mais robusto entre todos os Estados da
federação. No período de maio do ano passado
a maio deste ano, a indústria gaúcha descreveu uma
curva positiva de 12,6%. O Paraná, por exemplo, mostrou variação
negativa de 1,2%. Minas ficou praticamente no mesmo lugar, com 0,7%
mais. São Paulo fechou com um aumento de produção
de 5,1%. Apenas nos cinco primeiros meses de 2000, o incremento
na produção industrial gaúcha já é
de 11%, com uma elevação de 1,23% no PIB local contra
0,77% na média nacional.
Na
quinta-feira, 20, durante a inauguração da mais nova
fábrica da General Motors no País, instalada em Gravataí,
na Grande Porto Alegre, Dutra tinha um motivo especial para esgarçar
a cortina de pêlos que lhe cobre a boca. Considerado culpado
pela perda para a Bahia da nova fábrica da Ford, no início
de sua gestão, ele insistiu em contrariar a maré de
incentivos então vigente com a guerra fiscal, reduziu em
R$ 103 milhões um pacote de isenções que chegaria
a R$ 440 milhões e, mesmo assim, manteve a GM e sua planta
industrial de R$ 1 bilhão dentro das divisas do Estado. Eu
estava certo, resumiu. Era preciso reduzir a renúncia
fiscal em benefício das grandes empresas e conceder incentivos
para as pequenas, acrescentou.
Os
grandes empresários, naturalmente, estão entre os
mais céticos sobre o prosseguimento do ciclo de crescimento.
Neste grupo desponta Jorge Gerdau, irredutível até
o momento em manter suspensos seus planos de instalar no Estado
uma nova laminadora de aços do Grupo Gerdau. Os benefícios
fiscais concedidos pelo governo estadual devem ser estendidos a
todo o universo industrial, inclusive às grandes empresas,
defende Renan Proença, presidente da Federação
das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs). Olívio
não pode castigar o grande empresário só porque
é grande. Mesmo entre os pequenos e médios,
porém, a ausência de uma política agressiva
de incentivos fiscais tem sido a senha para a mudança para
outras plagas. Este fenômeno tem-se verificado em maior grau
sobre a tradicional indústria calçadista, cuja migração
para as regiões Centro-Oeste e Nordeste é reconhecida
pelo próprio governador. Os incentivos são um
forte instrumento para a atração de empresas,
admite Dutra.
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