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SEU DINHEIRO/BRIGA CARA
Foto: Gustavo Lourenção
PRECAUÇÃO: O ideal seria fazer a divisão de bens antes do casamento
Enfim só...
Divórcio pode ser a solução e a causa de muitos problemas financeiros. Mas há diversas formas de minimizá-los

Laura Somoggi

O objeto da briga foi um apartamento no valor de R$ 1 milhão. O casal estava se divorciando e resolveu manter o imóvel no nome dos dois até que eles conseguissem vendê-lo para dividir o dinheiro. Grande erro. A mulher continuou morando lá e não permitia que corretores mostrassem o imóvel para os interessados. O ex-marido pagava todas as despesas e impostos. A novela durou quase três anos. Tempo demais para um processo emocionalmente desgastante. Esse é apenas um exemplo dos problemas que surgem quando um casal se divorcia. Imóveis, participações em empresas, investimentos, obras de arte, pensão dos filhos – tudo é motivo para discussões infindáveis e muitos gastos com advogados (um divórcio pode custar até 10% do patrimônio a ser dividido). Não há poção mágica que evite disputas nesse momento. Mas há formas de minimizá-las e diminuir as dores de cabeça numa fase especialmente complicada da vida de um casal. “Brigar e entrar na Justiça é perda de tempo”, diz Paulo Barcellos, advogado especialista em direito de família, de São Paulo. “O melhor é chegar a um acordo e levar apenas para o juiz homologar.”

Ideal mesmo é se preocupar com tudo isso antes do casamento. Mas, em geral, a paixão dispensa um pacto pré-nupcial. O jeito, então, é remediar. Saber como dividir o patrimônio é um bom começo. Somar tudo e dividir por dois é o mais recomendado. Mas há formas de fazer isso. A primeira dica dos advogados é que cada um fique com determinados ativos e evitar que o casal continue com bens em comum. Um fica com o apartamento da cidade, outro com a casa de praia; um com o carro x, o outro com o carro y, e assim por diante. Fundos de investimento, poupança, ações, tudo deve ser repartido. “Se ninguém resolver nada, o juiz divide tudo em dois e o casal fica sócio em tudo pelo resto da vida”, diz Barcellos. “É briga para sempre.”

Um dos pontos mais delicados na separação é a participação acionária em empresas. O caminho mais indicado pelos advogados é que o cônjuge que está no dia-a-dia da empresa continue e o outro fique com outros bens cujo valor corresponda às suas ações ou cotas. É só mudar o estatuto (se for uma sociedade anônima) ou o contrato social (no caso de uma companhia fechada). Se, por exemplo, o marido ficar com a empresa e não tiver como pagar a parte da esposa, ela deve continuar recebendo os dividendos e as informações corporativas, mas sem poder de voto. Isso dura até que ele aumente o seu capital e compre o que falta. Ainda que os dois estejam à frente do negócio, é recomendado que só um continue. “Ex-marido e ex-mulher trabalhando juntos dificilmente dá certo”, afirma o advogado Afonso Colla, do Beraldo, Colla, Heer, Carvalho Advocacia, de São Paulo. Isso não significa que outras soluções não sejam possíveis. Um advogado relata o caso em que o marido era dono de três empresas e a esposa, dona de casa. Ela era sócia por mera formalidade. Quando se separaram, ela resolveu assumir a sua parte e colocar a mão na massa, contra as orientações do advogado. Deu certo. As empresas sob o comando feminino cresceram muito.

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A Petrobras teve um lucro recorde de US$ 4,5 bilhões no primeiro semestre deste ano. Isso poderá aumentar os dividendos para quem comprou ações da estatal, que terá de investir quase R$ 2 bilhões para recuperar boa parte dos dutos que transportam o petróleo que ela produz. Eles estão velhos e podem causar mais um acidente. A estatal foi responsável por dois dos maiores vazamentos de que já se teve notícia no país. Você compraria as ações desta companhia? Por quê?

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