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Foto: Gustavo Lourenção
LERRO JR: "O corretor é como o médico da família"
Adrenalina
Isto resume o dia-a-dia de quem compra e vende ações, o corretor de valores

Laura Somoggi

Comprar e vender ações acompanhando o sobe-e-desce dos pregões a cada minuto definitivamente não é para qualquer um. Para tomar as decisões acertadas é preciso ter vocação, feeling e sangue-frio. Se você aplica num fundo de investimentos ou mesmo diretamente no mercado financeiro deve saber que, para executar as suas ordens, um profissional é fundamental: o corretor de valores. Ele passa o dia inteiro ligado em cotações, atende dois ou até três telefonemas ao mesmo tempo e mal consegue sair da sua mesa.

Nesta terceira reportagem sobre o dia-a-dia daqueles que cuidam das aplicações dos investidores, DINHEIRO mostra o trabalho de Waldemar Lerro Jr., um dos sócios da Theca Corretora de Valores, de São Paulo. A Theca ocupa o oitavo lugar em volume negociado no ranking das corretoras que atuam na Bolsa de Valores de São Paulo. Vavá, como é chamado por todos que o conhecem, trabalha na mesa há 20 anos. Ele fala, em média, com dez clientes por dia. Várias vezes com cada um. “O corretor é como o médico da família”, diz ele. “Criamos uma relação de confiança. Principalmente porque cuidamos da parte mais sensível do corpo dos clientes, o bolso”.

O corretor tem de conseguir negociar os papéis no preço que o cliente quer. Detalhe: o mercado nunca está sob controle. Daí a rotina cheia de adrenalina. Ele precisa ficar em cima de todas as ocorrências do dia, saber quem está comprando e quem está vendendo o quê, que empresa vai abrir capital, qual vai emitir títulos, como estão as bolsas dos quatro cantos do mundo, deve ficar atento a anúncios do governo, etc., etc., etc. Há dias de calmaria, mas essa não é a regra. Qualquer movimento brusco nos pregões desencadeia um estresse sem fim. Na crise da Ásia em 97, por exemplo, todos os corretores atendiam três a quatro telefonemas de clientes ao mesmo tempo. “Nas horas de pico, a gente não tinha orelha para todo mundo.” O índice caiu mais de 1.000 pontos em apenas três minutos. Todo mundo dava ordens de venda. “Era quase impossível vender. Quando surgia um comprador, a gente enfiava a ação goela abaixo”, conta Vavá. “Eu podia torcer minha camisa no final do pregão.” Mesmo trabalhando no mercado há anos, Vavá fica nervoso quando faz uma grande operação. “Já tive de operar US$ 100 milhões de uma vez só”, afirma. “Fico com medo de interferências do mercado e até de ter feito cálculos errados.”

Vavá não se considera, no entanto, um mero executor de ordens. “Acompanhar o mercado tão de perto permite que a gente passe para os clientes o que está acontecendo e dê informações que ajudam na tomada de decisão”, diz ele. Exatamente porque os investidores comuns teriam de parar qualquer outra atividade se quisessem aproveitar as oportunidades assim que elas surgem. E perder o timing geralmente significa perder dinheiro.

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