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LERRO
JR: "O corretor é como o médico da família"
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Adrenalina
Isto resume o dia-a-dia
de quem compra e vende ações, o corretor de valores
Laura
Somoggi
Comprar
e vender ações acompanhando o sobe-e-desce dos pregões
a cada minuto definitivamente não é para qualquer
um. Para tomar as decisões acertadas é preciso ter
vocação, feeling e sangue-frio. Se você aplica
num fundo de investimentos ou mesmo diretamente no mercado financeiro
deve saber que, para executar as suas ordens, um profissional é
fundamental: o corretor de valores. Ele passa o dia inteiro ligado
em cotações, atende dois ou até três
telefonemas ao mesmo tempo e mal consegue sair da sua mesa.
Nesta
terceira reportagem sobre o dia-a-dia daqueles que cuidam das aplicações
dos investidores, DINHEIRO mostra o trabalho de Waldemar Lerro Jr.,
um dos sócios da Theca Corretora de Valores, de São
Paulo. A Theca ocupa o oitavo lugar em volume negociado no ranking
das corretoras que atuam na Bolsa de Valores de São Paulo.
Vavá, como é chamado por todos que o conhecem, trabalha
na mesa há 20 anos. Ele fala, em média, com dez clientes
por dia. Várias vezes com cada um. O corretor é
como o médico da família, diz ele. Criamos
uma relação de confiança. Principalmente porque
cuidamos da parte mais sensível do corpo dos clientes, o
bolso.
O
corretor tem de conseguir negociar os papéis no preço
que o cliente quer. Detalhe: o mercado nunca está sob controle.
Daí a rotina cheia de adrenalina. Ele precisa ficar em cima
de todas as ocorrências do dia, saber quem está comprando
e quem está vendendo o quê, que empresa vai abrir capital,
qual vai emitir títulos, como estão as bolsas dos
quatro cantos do mundo, deve ficar atento a anúncios do governo,
etc., etc., etc. Há dias de calmaria, mas essa não
é a regra. Qualquer movimento brusco nos pregões desencadeia
um estresse sem fim. Na crise da Ásia em 97, por exemplo,
todos os corretores atendiam três a quatro telefonemas de
clientes ao mesmo tempo. Nas horas de pico, a gente não
tinha orelha para todo mundo. O índice caiu mais de
1.000 pontos em apenas três minutos. Todo mundo dava ordens
de venda. Era quase impossível vender. Quando surgia
um comprador, a gente enfiava a ação goela abaixo,
conta Vavá. Eu podia torcer minha camisa no final do
pregão. Mesmo trabalhando no mercado há anos,
Vavá fica nervoso quando faz uma grande operação.
Já tive de operar US$ 100 milhões de uma vez
só, afirma. Fico com medo de interferências
do mercado e até de ter feito cálculos errados.
Vavá
não se considera, no entanto, um mero executor de ordens.
Acompanhar o mercado tão de perto permite que a gente
passe para os clientes o que está acontecendo e dê
informações que ajudam na tomada de decisão,
diz ele. Exatamente porque os investidores comuns teriam de parar
qualquer outra atividade se quisessem aproveitar as oportunidades
assim que elas surgem. E perder o timing geralmente significa perder
dinheiro.
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