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Banespa acorrentado

Um filete imperceptível de ironia percorre as idas e vindas da privatização do Banespa. A ironia: já dá para dizer, é esse o cofre mais bem guardado do País – algo que todos bancos perseguem –, mas, no caso, na direção errada. A guarda do Banespa reflete apenas e tão-somente uma resistência atávica e indolente à idéia de vendê-lo para garantir benefícios discutíveis – mantendo-se estatal, como é, estará mais eficiente, dizem alguns. E a Justiça, com seus promotores, acata. Assim, o minotauro adormece em paz, acalentado, pasmem, por teseus conformados da nova era. E quanto de custo o paredão de resistência montado em torno dele está gerando? Os cálculos começam a sair. O mais sangrento informa que, se a privatização for adiada indefinidamente – ou no horizonte ali na esquina, até o ano que vem – seu valor de mercado estará comprometido. Autoridades falam até que viraria pó. Pelo volume (insuperável em se tratando de privatização) de ações, o espigão do Banespa parece acorrentado de cima a baixo. De tal modo que candidatos à compra já começam a cogitar da desistência, ou mesmo do relaxamento de sua força-tarefa para vencer a disputa. E aquele cofre que se mostrava o mais seguro, o mais bem guardado, no correr do tempo, está definhando de valor. Os papéis do Banespa já experimentaram queda de quase 20%, somente na semana passada. E a urgência dos bancos privados para conquistar territórios pode levar seus investimentos para outras paragens, onde existam instituições disponíveis, mais baratas e mais fáceis de comprar. Enquanto isso, projeta-se nos gabinetes do Banespa, expande-se pelos sindicatos de funcionários e alcança políticos simpatizantes da condição estatal a idéia de que estão vencendo o jogo. Essa festa de ações movidas pelos opositores vai acabar melancolicamente em prejuízo. Até para eles.


Carlos José Marques

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FÓRUM

A Petrobras teve um lucro recorde de US$ 4,5 bilhões no primeiro semestre deste ano. Isso poderá aumentar os dividendos para quem comprou ações da estatal, que terá de investir quase R$ 2 bilhões para recuperar boa parte dos dutos que transportam o petróleo que ela produz. Eles estão velhos e podem causar mais um acidente. A estatal foi responsável por dois dos maiores vazamentos de que já se teve notícia no país. Você compraria as ações desta companhia? Por quê?

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