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Banespa
acorrentado
Um
filete imperceptível de ironia percorre as idas e vindas
da privatização do Banespa. A ironia: já dá
para dizer, é esse o cofre mais bem guardado do País
algo que todos bancos perseguem , mas, no caso, na
direção errada. A guarda do Banespa reflete apenas
e tão-somente uma resistência atávica e indolente
à idéia de vendê-lo para garantir benefícios
discutíveis mantendo-se estatal, como é, estará
mais eficiente, dizem alguns. E a Justiça, com seus promotores,
acata. Assim, o minotauro adormece em paz, acalentado, pasmem, por
teseus conformados da nova era. E quanto de custo o paredão
de resistência montado em torno dele está gerando?
Os cálculos começam a sair. O mais sangrento informa
que, se a privatização for adiada indefinidamente
ou no horizonte ali na esquina, até o ano que vem
seu valor de mercado estará comprometido. Autoridades
falam até que viraria pó. Pelo volume (insuperável
em se tratando de privatização) de ações,
o espigão do Banespa parece acorrentado de cima a baixo.
De tal modo que candidatos à compra já começam
a cogitar da desistência, ou mesmo do relaxamento de sua força-tarefa
para vencer a disputa. E aquele cofre que se mostrava o mais seguro,
o mais bem guardado, no correr do tempo, está definhando
de valor. Os papéis do Banespa já experimentaram queda
de quase 20%, somente na semana passada. E a urgência dos
bancos privados para conquistar territórios pode levar seus
investimentos para outras paragens, onde existam instituições
disponíveis, mais baratas e mais fáceis de comprar.
Enquanto isso, projeta-se nos gabinetes do Banespa, expande-se pelos
sindicatos de funcionários e alcança políticos
simpatizantes da condição estatal a idéia de
que estão vencendo o jogo. Essa festa de ações
movidas pelos opositores vai acabar melancolicamente em prejuízo.
Até para eles.
Carlos
José Marques
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