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DESTRUIÇÃO:
Nos primeiros dias de julho foram identificados 1.555 focos
de incêndio no País
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Terra
torturada
Recorde
de queimadas no País consome cerca de meio bilhão de reais do governo
e leva autoridades e empresas a lançar programas de combate
Ricardo
Osman
Visto
do céu, o Brasil está em meio a constelações
cintilantes. Nesta época do ano, aos olhos dos satélites
em órbita, brilham no chão, feito estrelas, milhares
de pontos de luz. Mas visto de perto, o País arde em chamas,
consumido cada vez mais pelas queimadas de campos e pastos. Só
na semana passada, regiões como São Paulo e Rio de
Janeiro registraram uma média de 40 a 50 focos de incêndios
por dia. Neste ano, eles estão mais intensos do que nunca.
Além da destruição monumental, a fumaça,
detectada também do alto, transborda pelos vales, invade
as estradas, interrompe o tráfego aéreo e é
responsável pelas doenças respiratórias das
crianças. Outro grande dano é a destruição
dos nutrientes da terra. Somente para a recuperação
da qualidade do solo, perdida a cada queimada, o Ministério
da Agricultura abriu linha de financiamento de R$ 400 milhões
para este ano. Não há um número oficial, mas
estimam-se gastos totais de meio bilhão de reais para pôr
fim ao problema. O
homem está matando a terra, alerta Fernando Campos,
coordenador de Projetos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(Embrapa).
Nunca,
considerando os últimos anos, queimou-se tantos campos e
matas como agora. No ano 2000, recordes lamentáveis estão
sendo batidos. De acordo com o Serviço de Monitoramento Orbital
de Queimadas, da Embrapa, já foram registrados neste ano
10.995 pontos de grandes incêndios, contra 9.855 do mesmo
período do ano passado. Os Estados mais atingidos são
Mato Grosso, Pará, Maranhão e Tocantins. Somente nestes
primeiros dias de julho observou-se, lá do céu, 1.555
focos no País. Em São Paulo, o número não
pára de crescer desde 1997, alertam os técnicos. O
fato é grave. Esperava-se uma queda das ocorrências
com a mecanização crescente da colheita da cana-de-açúcar.
O Estado este ano é responsável por 4% das queimadas
do País quando, em média, detinha apenas 2%
do total. Contribui para isso a estiagem na região Sudeste,
a maior desde o inverno de 1890. As autoridades estão alarmadas.
O governador do Mato Grosso, Dante de Oliveira (PSDB), antecipou-se
ao perigo este ano. Ele redigiu portaria inédita e salvadora.
A norma proíbe as queimadas no Estado até outubro.
Quem atear fogo na plantação vai ser pesadamente multado.
No Mato Grosso, esta é também uma atitude de prevenção
em relação à saúde pública. Os
hospitais registram inúmeros casos de problemas respiratórios
de crianças.
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