 |
|
OS
PLANOS DO ENGENHEIRO: fazer a Protótipo brasileira tão grande
quanto a matriz italiana
|
Razelli
sai da sombra
O
ex-Fiat está de volta. Agora com empresa de design de veículos e
universidade virtual
Juliana
Almeida, de Nova Lima (MG)
O italiano
Giovanni Razelli, 56 anos, destoa do estereótipo dos seus
compatriotas. Gesticula pouco, dificilmente altera o tom de voz
e consegue controlar suas emoções. Também é
um homem de poucas palavras, especialmente quando o assunto é
Fiat, empresa à qual dedicou 30 anos de sua vida. Desde sua
saída da multinacional italiana, Razelli manteve-se longe
dos flashes e da vida pública. Embora afirme que não
guarda ressentimentos, a voz e o olhar o denunciam quando é
perguntado sobre o episódio. Quanto menos falarmos
de Fiat, melhor. Não quero criar polêmica com a empresa.
Razelli foi demitido em plena festa de comemoração
do centenário da montadora, em julho do ano passado. Naquele
momento, o executivo não conseguia imaginar seu próximo
passo. Havia se preparado durante anos para assumir a cadeira principal
da fabricante de Turim. Passou pela Ferrari, pela Alfa Romeo, criou
o projeto Palio, enfim, fez história dentro da Fiat. Ainda
assim, caiu.
Um
ano depois, já refeito, o engenheiro genovês recebeu
a reportagem da DINHEIRO em seu novo escritório, ainda provisório,
no município de Nova Lima, na Grande Belo Horizonte. Do alto
da Serra do Curral, Razelli fala sobre seus novos sonhos. Decidido
a ficar em Minas Gerais por mais uma temporada, ele acaba de assumir
a vice-presidência técnica da subsidiária brasileira
da Protótipo, empresa italiana que realiza o teste de veículos
de várias marcas. Em Nardó, na Itália, a Protótipo
tem uma pista de 12 quilômetros de circunferência
a maior do mundo. No Brasil, além de fazer os testes finais
dos produtos, em uma pista a ser construída na divisa entre
São Paulo e Minas Gerais, a empresa vai oferecer também
o estudo de design, em parceria com o grupo IsoRivolta. Juntos,
vão construir um galpão de 1.600 metros quadrados
em Itabirito (MG), orçado em R$ 2 milhões. Estamos
na fase de prospecção de clientes no Brasil,
diz Razelli. Os primeiros da lista são Fiat, Ford, Pirelli
e Mercedes-Benz. Nossa meta é competir, em valores,
com a Protótipo italiana, diz Razelli. O objetivo é
ousado: a matriz prevê um faturamento de R$ 105 milhões
em 2000.
Escola.
Das pistas de testes, Razelli pula para as salas de aula. O engenheiro
quer oferecer, em parceria com a faculdade mineira UNA, um curso
on-line de administração voltado para pequenas e médias
empresas. A Protótipo vai participar do investimento inicial,
estimado em US$ 1 milhão. Razelli procura outros parceiros,
entre eles universidades e investidores estrangeiros. Um de seus
modelos é a Unext.com, consórcio formado pela universidades
Chicago, Stanford e The London School of Economics. Esta não
é a primeira vez que o engenheiro se aventura no mundo acadêmico.
Quando trabalhou na Ferrari, ajudou a Universidade de Módena
a criar a Faculdade de Engenharia Automotiva. Estou revivendo
aqui a Itália de trinta anos atrás, comenta.
|