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NEGÓCIOS/GUINADA
Foto: Gustavo Lourenção
MARANHA: “Ou mudávamos a nossa gestão
ou encolhíamos até desaparecer”

Nota máxima
Nem Estados Unidos nem Japão . A subsidiária mais eficiente da Caterpillar, entre as 46 espalha das pelo mundo, está no Brasil

Mariza Cavalcanti

Os altos e baixos da economia brasileira por pouco não nocautearam a Caterpillar, tradicional fabricante norte-americana de máquinas rodoviárias. Abatida pelas crises que abalaram, na década de 90, o desempenho da área de infra-estrutura, principal ganha-pão da companhia, a subsidiária brasileira mergulhou num ciclo de resultados tímidos. Nos últimos anos, porém, a empresa conseguiu voltar à tona e respirar aliviada. A consagração ocorreu há dois meses, quando a Oliver Wight Co, uma das mais renomadas empresas internacionais em avaliação de gestão, concedeu à subsidiária brasileira a Certificação em Excelência Operacional. Detalhe: nenhuma das 46 unidades do grupo Caterpillar Inc., espalhadas por todos os continentes, possui essa certificação e, no mundo todo, apenas 19 empresas receberam tal mérito. “Ou mudávamos a nossa gestão ou encolhíamos até desaparecer”, sintetizou o diretor de Centro de Produtos, João Carlos Maranha.

A guinada teve início em 1996, quando os executivos partiram para uma profunda revisão da empresa. Processos foram modificados, produção modernizada e custos reduzidos. Resultado: o vermelho desapareceu do balanço e o faturamento (lentamente, é verdade) cresceu – em 1996, foram US$ 350 milhões e para 2000 a projeção é de US$ 370 milhões. Desde abril, os escritórios e a fábrica da Caterpillar em Piracicaba, interior de São Paulo, receberam a visita de representantes de mais de 70 empresas de diversos ramos de atuação. Todos estavam interessados em conhecer melhor a única empresa da América Latina a receber a certificação internacional. Essa romaria provocou, inclusive, a criação de um seminário exclusivo para apresentar a estratégia seguida pela subsidiária. “Nosso plano se baseou numa decisão: crescer”, frisa Maranha. Falando assim, parece fácil. Mas mudar a rota da companhia deu bastante trabalho. Para começar, o ambiente econômico realmente não era dos mais favoráveis. Até meados da década de 90, o segmento de bens de capital sofria os efeitos do esfriamento na atividade econômica do País. “Os investimentos públicos em obras de infra-estrutura estavam em queda e o capital privado aplicado no segmento era muito limitado”, analisa o executivo. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq) dão um retrato da situação: enquanto em 1988 mais de 10 mil máquinas rodoviárias foram produzidas, em 1996 esse número não chegava a 7 mil unidades. Em 1999, o volume despencou para 5.420 unidades. As operações da empresa no Brasil apresentavam, para piorar, algumas distorções, como a dependência do instável mercado latino-americano e a desatualização da linha de produtos.

As mudanças começaram na área de recursos humanos. A empresa, em primeiro lugar, reduziu o quadro de pessoal – dos 3.800 funcionários do início dos anos 90, passou aos atuais 2.300. Depois instituiu uma nova relação com os funcionários. Diariamente, eles passaram a acompanhar os dados relativos às atividades da companhia em painéis instalados no escritório e na fábrica. Todo final do ano é feita a distribuição dos resultados aos empregados. Nesses novos tempos, as determinações são as mesmas para todos. Por exemplo, as exigências para a manutenção das instalações fabris eram rigorosíssimas, mas na área administrativa... Hoje, as baias são bem cuidadas e organizadas. No campo dos negócios, mais inovações. A unidade brasileira mantinha um ritmo de lançamentos inferior ao da matriz. “Hoje, todos os produtos são lançados no mesmo compasso das demais unidades do grupo”, frisa Maranha. Os investimentos na modernização da fábrica (mais de US$ 25 milhões anuais) e dos processos industriais levaram a empresa a reduzir em 50% o tempo médio de produção e a garantir o lançamento de perto de 15 produtos nos últimos três anos. Antes, alguns equipamentos demoravam até dez anos para ser renovados. Com isso, as exportações ganharam corpo no faturamento da empresa, pulando de uma fatia de 50%, em 1995, para os 70% de hoje. Atualmente, a empresa escolhe melhor o destino das mercadorias. “Priorizamos os mercados desenvolvidos”, conta Maranha. Hoje, a própria matriz, nos Estados Unidos, e a Europa estão entre os clientes da subsidiária brasileira.

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