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NEGÓCIOS/EDUCAÇÃO
Foto: Gustavo Lourenção
ANTONINHO MARMO, PRESIDENTE: “Construímos uma usina
de formação de profissionais”

Faculdade Trevisan
Em apenas seis meses de atividade, faculdade da empresa de consultoria já garimpa os primeiros jovens promissores

Marcos Eckardt, 29 anos, tirou a sorte grande. Ou melhor, a nota grande. O primeiro semestre de atividade da Faculdade Trevisan encerrou-se no último dia 29 com um trabalho para os alunos dos cursos de administração e ciências contábeis. Eckardt obteve a maior pontuação discorrendo sobre o terceiro setor. Como prêmio, poderá ir a Chicago nas próximas semanas. Será recebido pelos executivos da Grand Thorton, parceira da Trevisan, e por acadêmicos da Universidade de Chicago. Essa viagem faz parte do plano de extensão curricular da Faculdade Trevisan, que oferecerá o benefício anualmente ao estudante mais aplicado. “A idéia é mostrar in loco o funcionamento das empresas globalizadas”, diz Ronaldo Tavano Palaio, diretor da Trevisan. Para Eckardt, que ainda não terminou a Faculdade de Economia na Universidade Federal do Rio de Janeiro, a vantagem do curso é aliar a teoria à prática. “Os professores estão no mercado de trabalho e isso conta muito para o futuro profissional dos estudantes”, diz o aluno, que depois de fazer estágio na Bosch, foi contratado como controller da Hugo Boss. “A Trevisan é essencialmente uma escola de negócios.”

Era exatamente isso que Antoninho Marmo Trevisan pretendia fazer, quando anunciou a criação da faculdade, no ano passado. O presidente da Trevisan Consultores pensava em montar uma usina de formação de profissionais, um celeiro de talentos. À época Antoninho Trevisan falou em aliar necessidade e oportunidade. Todos os anos, a Trevisan contrata e oferece treinamento intensivo a mais de 50 jovens que preencherão futuras vagas de trainee em auditoria. “Percebemos que eles estavam cada vez menos preparados para incorporar com competência o perfil de profissional exigido pelo mercado”, conta Antoninho Trevisan. “Daí a idéia de entrarmos na área de educação.” A Faculdade Trevisan, que matriculou 200 alunos em seus cursos de Administração e de Ciências Contábeis no primeiro ano de funcionamento, já comprovou que seus pupilos estão no caminho certo. E não só pelo exemplo de Eckard. Das 90 vagas que abrem todos os anos na área de auditoria na Trevisan, 11 foram preenchidas por alunos da faculdade. “Eles concorreram com estudantes do terceiro e do quarto ano dos cursos tradicionais e mesmo assim conseguiram as vagas”, orgulha-se o diretor Palaio. Outros 20 alunos estão fazendo estágio remunerado nas demais áreas da empresa, como o departamento de marketing.

Qual o segredo para, em tão pouco tempo, conseguir moldar profissionais em sintonia com as exigências atuais do mercado de trabalho? Em universidades corporativas, espalhadas pelo mundo, a fórmula começa com o ambiente de ensino, que em nada lembra uma escola, mas sim uma empresa. Em alguns casos, os estudantes se dividem em equipes, formando núcleos de trabalho. E estudam projetos reais do mercado, analisando os passos que foram dados em determinada situação, discutindo o procedimento e apresentando soluções alternativas. Na lista de material, o notebook é imprescindível. Uma rede interliga os computadores e leva todas as anotações do professor ao micro dos alunos. Enfim, um laboratório eficiente para a formação de auditores e consultores.

O sucesso da faculdade fez a Trevisan ampliar seus planos. Em dezembro mudará para um prédio na avenida Paulista, onde terá mais cinco cursos: marketing, direito, sistemas de informação, relações internacionais e economia. Ao todo serão 5.600 alunos, sem contar aqueles dos programas de pós-graduação. Com autorização do MEC, os cursos da faculdade deverão ser reconhecidos assim que a primeira turma estiver formada. Já o retorno financeiro dos investimentos da Trevisan em educação – a empresa desembolsou R$ 1,8 milhão para montar a faculdade – acontecerá no fim do próximo ano, segundo o diretor Palaio. A Trevisan pretende trazer parceiros para a área de educação, expandir o projeto para outras dez cidades brasileiras e, a médio prazo, transformar a faculdade em uma S/A, com ações negociadas em bolsa.

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