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NEGÓCIOS/TERCEIRO SETOR
Foto: Gustavo Lourenção
PARA COLABORAR: Associação de Assistência à Criança Santamarense Mamãe 0xx11-5560-1509

Abre o livro à garotada
Banco americano investe US$ 1 milhão no projeto Biblioteca Viva. São 274 centros de leitura que atendem mais de 67 mil carentes no País

Fernando Neves

O garoto Kaíque Santos da Silva, de seis anos, levava todo o jeito de que passaria sua vida inteira distante dos livros. Morador da favela Pantanal, na zona sul de São Paulo, sua rotina diária acabaria se resumindo à violência e à pobreza. Há um ano, porém, ele preenche suas manhãs em companhia de Sansão, Hércules e rei Arthur, personagens de seu livro preferido, Guerreiros e Heróis. A obra de que Kaíque tanto gosta foi doada pelo Citibank a uma das 274 bibliotecas mantidas pelo banco em comunidades carentes de todo o Brasil. O projeto chama-se Biblioteca Viva, foi criado em 1995 e já consumiu investimentos de US$ 1 milhão. O dinheiro foi utilizado para comprar mais de 40 mil livros e formar 498 educadores. O Citi calcula que 67.700 crianças são beneficiadas pelo projeto.

O funcionamento é simples e eficiente. Tudo começa com os educadores contando histórias para as crianças. Isso tem um impacto profundo, pois envolve meninos e meninas em um mundo de fantasia. O passo seguinte é dado pelas crianças, que escolhem os livros que lhes interessam. “A idéia é desenvolver o gosto pela leitura”, explica a pedagoga Kelly de Souza, da Associação de Assistência à Criança Santamarense Mamãe, parceira do Citi. A entidade é vizinha às favelas Pantanal e Sem Terra. O contato com os livros é uma novidade na rotina das comunidades, onde cultura é rara. Entre os adolescentes, o entusiasmo é tal que um grupo ensaia Sonho de uma noite de verão, de William Shakespeare.

O empréstimo de livros acabou atraindo outros leitores: os próprios pais. “O entusiasmo das crianças com as histórias contagiou a família toda”, explica Kelly. Essa realidade estimulou as educadoras a criar um programa inspirado no do Citi para atender os adultos. O problema é o de sempre: falta de dinheiro. O custo para despertar o interesse dos adultos, e até alfabetizar os que não sabem ler, é de apenas R$ 1 mil por mês. “Ainda não temos os recursos para ampliar o projeto”, diz a pedagoga. Com os resultados alcançados até agora, provavelmente não será difícil convencer o banco americano.

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