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Abre
o livro à garotada
Banco
americano investe US$ 1 milhão no projeto Biblioteca Viva. São 274
centros de leitura que atendem mais de 67 mil carentes no País
Fernando
Neves
O garoto
Kaíque Santos da Silva, de seis anos, levava todo o jeito
de que passaria sua vida inteira distante dos livros. Morador da
favela Pantanal, na zona sul de São Paulo, sua rotina diária
acabaria se resumindo à violência e à pobreza.
Há um ano, porém, ele preenche suas manhãs
em companhia de Sansão, Hércules e rei Arthur, personagens
de seu livro preferido, Guerreiros e Heróis. A obra de que
Kaíque tanto gosta foi doada pelo Citibank a uma das 274
bibliotecas mantidas pelo banco em comunidades carentes de todo
o Brasil. O projeto chama-se Biblioteca Viva, foi criado em 1995
e já consumiu investimentos de US$ 1 milhão. O dinheiro
foi utilizado para comprar mais de 40 mil livros e formar 498 educadores.
O Citi calcula que 67.700 crianças são beneficiadas
pelo projeto.
O
funcionamento é simples e eficiente. Tudo começa com
os educadores contando histórias para as crianças.
Isso tem um impacto profundo, pois envolve meninos e meninas em
um mundo de fantasia. O passo seguinte é dado pelas crianças,
que escolhem os livros que lhes interessam. A idéia
é desenvolver o gosto pela leitura, explica a pedagoga
Kelly de Souza, da Associação de Assistência
à Criança Santamarense Mamãe, parceira do Citi.
A entidade é vizinha às favelas Pantanal e Sem Terra.
O contato com os livros é uma novidade na rotina das comunidades,
onde cultura é rara. Entre os adolescentes, o entusiasmo
é tal que um grupo ensaia Sonho de uma noite de verão,
de William Shakespeare.
O
empréstimo de livros acabou atraindo outros leitores: os
próprios pais. O entusiasmo das crianças com
as histórias contagiou a família toda, explica
Kelly. Essa realidade estimulou as educadoras a criar um programa
inspirado no do Citi para atender os adultos. O problema é
o de sempre: falta de dinheiro. O custo para despertar o interesse
dos adultos, e até alfabetizar os que não sabem ler,
é de apenas R$ 1 mil por mês. Ainda não
temos os recursos para ampliar o projeto, diz a pedagoga.
Com os resultados alcançados até agora, provavelmente
não será difícil convencer o banco americano.
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