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ERIS:
a Linear nunca se recuperou do tombo que levou na crise da
Ásia
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Tigre
volta para a toca
Ibrahim
Eris e seus sócios vão deixar de operar fundos e se dedicarão apenas
a prestar consultoria
Lucia
Kassai
Os
sócios daquele que já foi o mais agressivo fundo de
investimento do País, a Linear Investimentos, estão
deixando o mercado financeiro pela porta dos fundos. Em silêncio,
com muita discrição, o ex-presidente do Banco Central,
Ibrahim Eris, o antigo assessor do presidente José Sarney,
Luis Paulo Rosenberg e o engenheiro Emir Capez se afastam do dia-a-dia
da Linear para se dedicar ao trabalho de consultoria. Foi uma decisão
forçada, já que o trio de acadêmicos há
algum tempo andava na contramão de seus concorrentes. Enquanto
o patrimônio dos fundos brasileiros cresceu 116% nos últimos
três anos, o da Linear encolheu 85,5% no mesmo período,
passando de R$ 1 bilhão para R$ 145 milhões. Nos
curvamos aos imperativos da globalização. Não
temos condições de competir com os grandes fundos,
diz Rosenberg. A trajetória de sucesso da Linear foi interrompida
em 1997, quando o Tiger, seu mais agressivo fundo de derivativos,
miou com a crise da Ásia. Em menos de uma semana, a Linear
perdeu R$ 300 milhões com saques e desvalorização
das cotas. Apesar de apostas bem-sucedidas contra a desvalorização
do real, em 1999, o tigre nunca mais se recuperou.
Os
22 fundos da Linear, aos poucos, trocarão de mãos,
passando a ser geridos pela Fator Administração de
Recursos. Os técnicos da Linear já mudaram de endereço
e se juntaram à equipe da Fator, instalada em um prédio
da rua Amauri, no Itaim, em São Paulo. Eris, Rosenberg e
Capez darão apenas suporte técnico. E a Linear deixará
de existir. As equipes estão sendo transferidas. Tudo
estará pronto em três meses, diz Rosenberg. Vamos
devolver a carta de distribuidora de títulos para o Banco
Central, mas ainda não definimos quando. O acordo com
a Fator é uma saída honrosa para aquela que já
foi uma das mais arrojadas administradoras de recursos do mercado.
A Linear só se metia em operações complexas.
Sob a batuta de Eris, operava futuros de Ibovespa e papéis
complicados como títulos da dívida da Holanda.
Os
sócios se retiram do mercado no momento em que cai a procura
por fundos ultra-sofisticados e altamente alavancados. Pelo acordo
com a Fator, nenhum dos sócios da Linear poderá trabalhar
com fundos pelos próximos cinco anos. Por isso, Rosenberg
irá concentrar esforços em sua empresa de estudos
de macroeconomia. Já Eris, o Turco, como é
chamado pelos amigos, vai se dedicar a suas empresas de aconselhamento,
a MBE e a Eris Consultoria. E terá tempo para sua outra atividade,
a criação de cavalos de corrida da raça Puro
Sangue Inglês. Como sócio de quatro escuderias, Stud
Mega, Bafra, Dr. Gil e Aquilante, ele é figura conhecida
no mundo do turfe. Se no lado financeiro as coisas não vão
tão bem, na pista tudo vai de vento em popa. Um de seus animais,
Cavalo Mágico, é o favorito para o Grande Prêmio
Taça de Prata, que acontece dia 29 no Jockey Clube de São
Paulo.
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