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RICARDO
ESPÍRITO SANTO: Bancos portugueses não desistiram
de investir no Brasil
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Novo
desembarque
Grupo
Espírito Santo, que vendeu o Boavista, abrirá outro banco no Brasil
Marcelo
Aguiar
Todos
os problemas que os grupos Espírito Santo e Caixa Geral de
Depósitos tiveram em suas principais aventuras no País,
os recém-vendidos Boavista e Bandeirantes, não afugentaram
os banqueiros portugueses. O Espírito Santo já esqueceu
a parceria com o grupo Monteiro Aranha e está com tudo pronto
para pôr na rua o seu mais recente projeto brasileiro. A nova
instituição será um banco de investimentos,
já autorizado pelo Banco Central, e dessa vez vai ostentar
o nome do próprio grupo. A insistência não é
exclusividade dos ex-sócios do Boavista. A Caixa Geral manteve
seu pé no País ao conseguir um departamento somente
para os negócios portugueses dentro do Unibanco. A mesma
motivação move os dois grupos: o Brasil é uma
operação absolutamente indispensável para instituições
portuguesas que tenham a pretensão de se internacionalizar.
O
caso do Espírito Santo é exatamente esse. O banco
é o mais global dos grupos da terrinha, com presença
direta em mercados como a Suíça e a Flórida,
e, por isso, não pode deixar de ter na carteira operações
no Brasil para oferecer a seus clientes. A primeira investida foi
feita por meio do antigo Interatlântico, em sociedade com
Monteiro Aranha e o francês Crédit Agricole, que era
bem-sucedido como banco de negócios. O fracasso posterior
da aposta no Boavista, porém, foi um golpe duro. Na venda
do banco para o Bradesco, o Espírito Santo entregou também
o negócio de gestão de recursos de terceiros, parte
central de suas operações em Portugal. O novo banco
de investimento, que deverá ser anunciado oficialmente em
agosto, não terá como fechar essa lacuna de imediato.
Mas permitirá ao Espírito Santo retomar negócios
que fazia na época do Interatlântico.
Enquanto
os dois primos ricos ainda ensaiam seus novos passos, as cores lusitanas
no sistema financeiro brasileiro são representadas por um
único banco: o pequeno Banif, originário dos Açores
e Ilha da Madeira, controlador no Brasil do também nanico
Banif Primus. Quinto no ranking português, o Banif é
lá o maior entre os menores. A megalomania, por isso, passou
longe dos projetos no Brasil. Quem tenta ser grande à
força sempre perde, resume o administrador da holding
Banif, Artur Fernandes. No lugar de se aventurar no varejo, o banco
negocia a compra de uma seguradora no País e monta um site
na Internet para distribuir seus produtos.
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