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FINANÇAS/PRIVATIZAÇÃO
Foto: Biô Barreira
IDÉIA BRILHANTE: Petersen, do Prósper, trocou ele próprio R$ 40 mil do FGTS: "!É o melhor a fazer"

Chuva de sócios
De executivos a ferroviários, mais de 30 mil pessoas já trocaram FGTS por ações da Petrobras

Marcelo Aguiar

A Petrobras ganhou mais de 30 mil novos sócios na semana passada. Esse é o resultado da primeira semana de funcionamento dos novos fundos de privatização, que permitem aos trabalhadores o uso de até metade do saldo do FGTS para a compra de ações da estatal. A propaganda para divulgar o negócio mal começou, mas a ansiedade de trabalhadores insatisfeitos com o rendimento de sua poupança compulsória levou muita gente a se antecipar e correr para os bancos. Pessoas que nunca deram a menor importância para o sobe-e-desce das bolsas de valores aproveitaram a oportunidade de movimentar o FGTS e entraram para o clube dos novos acionistas da companhia. É gente como o ferroviário Ricardo Mattos, chefe de uma equipe de maquinistas na Central do Brasil, no Rio, que admite nunca acompanhar o mercado financeiro, mas se decidiu a participar da operação de privatização antes mesmo da divulgação ser feita dentro da empresa em que trabalha, a Supervia. “É muito mais democrático poder escolher o uso do dinheiro. Afinal, ele é nosso”, diz. Entre os que optaram pela troca, há gente de todas as profissões e faixas de renda, num corte que praticamente reproduz a pirâmide social dos correntistas dos bancos. Na CEF, a grande maioria dos clientes pertence à faixa com R$ 1.000 a R$ 10.000 para investir.

A adesão cresce à medida em que o sistema vai ficando mais conhecido da população. “Nós só começamos a anunciar nossa carteira na quarta-feira, mas ainda assim o movimento cresce 20% a 30% a cada dia”, conta Jorge Luiz Ávila, diretor de administração de recursos de terceiros da Caixa Econômica Federal. A instituição contabilizava, até o final da semana, cerca de R$ 70 milhões em compra de ações. Os novíssimos investidores foram com apetite ao mercado: cerca de 70% deles aplicam de cara o limite máximo permitido pelas regras dos fundos e determinam a compra de ações no valor equivalente a metade do saldo dos fundos de garantia. O engenheiro-agrônomo Antônio Vieira Guimarães foi um dos que optou pela aplicação máxima, embora saiba que o investimento é de risco. “A Petrobras subiu 94% no ano passado, enquanto o meu dinheiro ficou lá rendendo TR (Taxa Referencial de Juros) mais 3%. Vale a pena apostar”, resume. O desconto de 20% no preço das ações compradas na operação de privatização acabou de resolver a dúvida para ele. “Eu ganho mesmo que as ações caiam 10%. É uma oportunidade única”.

Quem entra, porém, deve estar preparado para os trancos que o mercado muitas vezes dá no investidor. A aplicação tem de ser de longo prazo, como é, aliás, a acumulação de poupança no FGTS. “Para menos de um ano não dá nem para pensar”, diz André Petersen, diretor-executivo do Banco Prosper. Administrador de fundos oferecidos em empresas do grupo que controla o banco, o Peixoto de Castro, Petersen deu o exemplo: pôs R$ 40 mil na carteira que administra. “É o mais sensato”, argumenta. A CEF, gestora do FGTS, é ainda a preferida dos investidores: até a quinta-feira já eram mais de 15 mil pessoas inscritas na instituição para a compra dos papéis da Petrobras. O fato de as agências da Caixa serem o único lugar onde os trabalhadores podem consultar o saldo de sua poupança trabalhista levou muitos investidores, inclusive clientes de outras instituições, a fechar o negócio com o banco federal.

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FÓRUM

A Petrobras teve um lucro recorde de US$ 4,5 bilhões no primeiro semestre deste ano. Isso poderá aumentar os dividendos para quem comprou ações da estatal, que terá de investir quase R$ 2 bilhões para recuperar boa parte dos dutos que transportam o petróleo que ela produz. Eles estão velhos e podem causar mais um acidente. A estatal foi responsável por dois dos maiores vazamentos de que já se teve notícia no país. Você compraria as ações desta companhia? Por quê?

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