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ENTREVISTA
Foto: Kiko Ferrite
JOHN ELLIS BUSH: Acredito que a Alca será favorável a todas as nações

JEB BUSH
Um amigo na casa branca?
O governador da Flórida e irmão de George, candidato republicano à presidência dos EUA, diz que o que é bom para Miami é bom para o Brasil

Laura Somoggi

A Flórida sempre foi tida como o pedaço mais brasileiro dos Estados Unidos. O clima é quente, a população, predominantemente latina, e a economia daquele Estado americano tem fortes relações com a do Brasil. Não por acaso, portanto, o governador John Ellis Bush – ou simplente Jeb Bush, como é mais conhecido – presta especial atenção no que acontece por aqui. Esta semana, por exemplo, fará um périplo pelo País, trazendo na comitiva mais de 200 empresários. Seu objetivo é promover o fortalecimento das relações comerciais com o País, que é o principal parceiro da Flórida no mundo. Por isso, Bush deve evitar comentários sobre os problemas de barreiras comerciais – ele prefere defender a integração nos setores em que os dois países têm interesses comuns. Integração, aliás, talvez seja a palavra de ordem do governador. Contratos bilaterais, Mercosul, Alca, todo tipo de acordo parece interessá-lo. Filho do ex-presidente George Bush e irmão de um dos fortes candidatos à presidência dos EUA, o republicano George Bush Jr., seu interesse pela América Latina vem desde os tempos de faculdade. Jeb é formado em Assuntos Latino-Americanos pela Universidade do Texas, em Austin. Nesta entrevista, concedida com exclusividade à DINHEIRO, ele afirma que nos últimos anos as negociações em torno da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) perderam o ritmo. “Todos gostariam de ver mais rapidez nessa aliança.” E vai além: “Seria bom ver a Alca se tornar uma grande prioridade dos Estados Unidos”. Quem sabe se com a eleição de seu irmão seu desejo não se torne realidade?

DINHEIRO – É a primeira vez que o sr. vem ao Brasil? O que o sr. espera desta visita?
JEB BUSH – Eu já tive o prazer de visitar o Brasil antes por duas vezes. O País é o mais importante parceiro comercial da Flórida em todo o mundo. Esta missão comercial que faremos agora será a maior delegação que já visitou o Brasil. É formada por um grande número de empresas da Flórida, com grande ênfase em alta tecnologia e serviços profissionais, que querem aumentar seus laços comerciais com o Brasil. Espero que esta missão venha a fortalecer os vínculos institucionais e comerciais que unem a Flórida ao seu maior vizinho do Sul. Acredito que Flórida e Brasil têm muito a oferecer um para o outro do ponto de vista econômico. Também espero que o interesse gerado por essa missão estimule nossas respectivas comunidades empresariais a olhar mais de perto oportunidades bilaterais para benefício de ambas as partes.

DINHEIRO – Quais são os produtos da Flórida mais interessantes para o Brasil?
BUSH – No ano passado a Flórida exportou mais de US$ 5,8 bilhões para o Brasil. Produtos de alta tecnologia dominaram essa lista. Nossos principais itens de exportação foram produtos ligados à aviação, equipamentos de telecomunicações, produtos relacionados à computação, peças de automóveis e eletrônicos.

DINHEIRO – Para vocês, quais são os setores mais importantes da indústria brasileira? Quais são os mais atraentes para a Flórida?
BUSH – O Brasil ostenta uma economia grande e sofisticada, que é atraente para as empresas da Flórida e os fornecedores de serviços. Setores como aviação, telecomunicações, tecnologias ambientais e as crescentes tecnologias da informação são cada vez mais importantes para nosso Estado. Na verdade, durante nossa visita, a Miami Internet Alliance (Aliança da Internet de Miami) estará assinando um acordo cooperativo com sua associação correspondente no Brasil, a AMI (Associação de Mídia Interativa). Isso deve estimular a expansão do e-commerce. O Brasil é o principal fornecedor de alguns produtos importados importantes para nós. Aviões feitos pela Embraer são os produtos que mais importamos do Brasil, seguidos de produtos relacionados às telecomunicações, calçados, café e sucos cítricos.

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A Petrobras teve um lucro recorde de US$ 4,5 bilhões no primeiro semestre deste ano. Isso poderá aumentar os dividendos para quem comprou ações da estatal, que terá de investir quase R$ 2 bilhões para recuperar boa parte dos dutos que transportam o petróleo que ela produz. Eles estão velhos e podem causar mais um acidente. A estatal foi responsável por dois dos maiores vazamentos de que já se teve notícia no país. Você compraria as ações desta companhia? Por quê?

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