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EQUIPE
EM AÇÃO: Sardenberg (acima) dirige técnicos
em estado de prontidão. Eles falam, conferem e até
comem enquanto montam as estratégias de venda de títulos
públicos
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Dentro
do Cofre
Passamos uma semana no coração do Tesouro Nacional, que está em
transformação: técnicos assumem novos postos e procedimentos na
operação das dívidas interna e externa de R$ 645 bilhões
Estela
Caparelli
O coração
do Tesouro Nacional, de onde partem a cada semana ordens de pagamento
de até R$ 10 bilhões aos investidores de títulos
do governo, é um lugar insuspeito. Fica num humilde andar
térreo e nem faz parte do prédio principal do Ministério
da Fazenda, mas de um anexo. O local parece um labirinto, tantas
são as salas separadas por longos corredores. Por ali, o
único detalhe que quebra a monotonia das paredes bege-Brasília
são recortes de charges do personagem dos quadrinhos Dilbert.
Na semana passada, DINHEIRO mergulhou neste ambiente para extrair
uma amostra de como se dá a gestão da dívida
brasileira.
Na
terça-feira, 11, entre meio-dia e uma hora, um grupo de jovens
técnicos do Tesouro acompanhava on-line via computador uma
transação bilionária: a venda de títulos
do governo no tradicional leilão das terças. De rotineira,
no entanto, a cena só tinha a aparência. Aquele leilão
aconteceu em meio à maior mudança feita até
hoje na área mais sensível do Tesouro Nacional
o modo de administração das dívidas interna
e externa brasileiras, de R$ 645 bilhões, montanha de dinheiro
equivalente a quase 70% do PIB. Discutida desde o ano passado e
operada discretamente a partir de maio, a reviravolta no jeito de
cuidar desta fortuna envolve a reordenação de funções,
a criação de uma área de planejamento estratégico
e de avaliação de risco e o retorno do controle da
dívida externa para o seu antigo QG, que desde 1994 estava
no Banco Central. A idéia é deixar para trás
os tempos em que o Tesouro apenas comprava e vendia títulos
sem um plano de vôo. Agora, a ordem é assumir o papel
de gestor da dívida, a exemplo do que fazem os governos de
economias estáveis.
Para
melhor entender a importância desta mudanças, voltemos
um pouco no tempo. O leilão da última terça-feira
começou, na verdade, na quarta-feira da semana anterior,
dia 5. Naquele dia, enquanto transações eram fechadas,
o governo recebia sua dinheirama obtida nos leilões ao mercado
e os técnicos exprimiam em sorrisos o sucesso das vendas:
foram 5 milhões de papeis no valor de R$ 4,7 bilhões.
Na quinta-feira 6, o clima continuava otimista numa reunião
entre eles e o novo comandante da área, Rubens Sardenberg,
ex-economista-chefe do ABN Amro, com gabinete no 1º andar.
Com o horizonte límpido, o grupo decidiu fazer um pequeno
ajuste no plano mensal para o leilão da semana
seguinte (o da terça 11) resolveu oferecer mais papéis
com juros prefixados, comprados quando os investidores confiam mais
na estabilidade da economia.
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