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ECONOMIA/TÍTULOS DO GOVERNO

Foto: Carlos Goldgrub/Reflexo

EQUIPE EM AÇÃO: Sardenberg (acima) dirige técnicos em estado de prontidão. Eles falam, conferem e até comem enquanto montam as estratégias de venda de títulos públicos

Dentro do Cofre
Passamos uma semana no coração do Tesouro Nacional, que está em transformação: técnicos assumem novos postos e procedimentos na operação das dívidas interna e externa de R$ 645 bilhões

Estela Caparelli

O coração do Tesouro Nacional, de onde partem a cada semana ordens de pagamento de até R$ 10 bilhões aos investidores de títulos do governo, é um lugar insuspeito. Fica num humilde andar térreo e nem faz parte do prédio principal do Ministério da Fazenda, mas de um anexo. O local parece um labirinto, tantas são as salas separadas por longos corredores. Por ali, o único detalhe que quebra a monotonia das paredes bege-Brasília são recortes de charges do personagem dos quadrinhos Dilbert. Na semana passada, DINHEIRO mergulhou neste ambiente para extrair uma amostra de como se dá a gestão da dívida brasileira.

Na terça-feira, 11, entre meio-dia e uma hora, um grupo de jovens técnicos do Tesouro acompanhava on-line via computador uma transação bilionária: a venda de títulos do governo no tradicional leilão das terças. De rotineira, no entanto, a cena só tinha a aparência. Aquele leilão aconteceu em meio à maior mudança feita até hoje na área mais sensível do Tesouro Nacional – o modo de administração das dívidas interna e externa brasileiras, de R$ 645 bilhões, montanha de dinheiro equivalente a quase 70% do PIB. Discutida desde o ano passado e operada discretamente a partir de maio, a reviravolta no jeito de cuidar desta fortuna envolve a reordenação de funções, a criação de uma área de planejamento estratégico e de avaliação de risco e o retorno do controle da dívida externa para o seu antigo QG, que desde 1994 estava no Banco Central. A idéia é deixar para trás os tempos em que o Tesouro apenas comprava e vendia títulos sem um plano de vôo. Agora, a ordem é assumir o papel de gestor da dívida, a exemplo do que fazem os governos de economias estáveis.

Para melhor entender a importância desta mudanças, voltemos um pouco no tempo. O leilão da última terça-feira começou, na verdade, na quarta-feira da semana anterior, dia 5. Naquele dia, enquanto transações eram fechadas, o governo recebia sua dinheirama obtida nos leilões ao mercado e os técnicos exprimiam em sorrisos o sucesso das vendas: foram 5 milhões de papeis no valor de R$ 4,7 bilhões. Na quinta-feira 6, o clima continuava otimista numa reunião entre eles e o novo comandante da área, Rubens Sardenberg, ex-economista-chefe do ABN Amro, com gabinete no 1º andar. Com o horizonte límpido, o grupo decidiu fazer um “pequeno ajuste” no plano mensal – para o leilão da semana seguinte (o da terça 11) resolveu oferecer mais papéis com juros prefixados, comprados quando os investidores confiam mais na estabilidade da economia.

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A Petrobras teve um lucro recorde de US$ 4,5 bilhões no primeiro semestre deste ano. Isso poderá aumentar os dividendos para quem comprou ações da estatal, que terá de investir quase R$ 2 bilhões para recuperar boa parte dos dutos que transportam o petróleo que ela produz. Eles estão velhos e podem causar mais um acidente. A estatal foi responsável por dois dos maiores vazamentos de que já se teve notícia no país. Você compraria as ações desta companhia? Por quê?

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