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MIYASHIRO,
DA FATOR: Relatório,s reuniões, jornais, Internet,
o analista passa seus dias atrás de dados que o ajudam a descobrir
que companhias devem se valorizar
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Detetive
das ações
A incansável caça
à informação é a rotina do analista de mercado, o responsável por
indicar os melhores papéis para investir
Laura
Somoggi
Busca
incessante de informações. Em poucas palavras, esse
é o cotidiano de João Miyashiro, analista de mercado
da Fator Administração de Recursos, de São
Paulo. Ele chega no escritório às 8 horas, lê
quatro jornais e vai para o computador. São cerca de 50 e-mails
por dia e muita navegação na Internet. Visita sites
de jornais e revistas nacionais e internacionais, de empresas de
consultoria, de bancos e corretoras, além de páginas
e mais páginas com informações específicas
sobre telecomunicações e Internet. Isso sem falar
nas visitas a empresas e conversas com outros profissionais do mercado.
Só assim ele consegue os dados que precisa para saber se
determinada companhia é e continuará sendo um bom
negócio. Com isso, pode recomendar ou não
uma empresa para a carteira dos fundos de ações administrados
pela Fator. Os analistas de mercado fazem o trabalho que qualquer
um deveria fazer antes de comprar um papel. A diferença é
que nem sempre temos tempo para isso.
Para
o investidor comum, não é fácil ter detalhes
sobre o desempenho de determinada empresa, quais são suas
perspectivas de valorização ou quanto ela deve pagar
de dividendos. Mais do que ler notícias em jornais e revistas
e relatórios na Internet, é preciso conhecer profundamente
a sua atividade para se ter certeza disso. Saber, por exemplo, como
é a sua gestão, se ela atende bem os clientes, se
está com uma boa saúde financeira etc. Nesta segunda
reportagem sobre a rotina de trabalho daqueles que cuidam das aplicações
dos investidores, DINHEIRO mostra como os analistas de mercado trabalham.
Como eles acompanham de perto os diferentes setores da economia
e dão informações confiáveis para os
gestores dos fundos definirem a melhor carteira das aplicações.
Essa
é função de profissionais como Miyashiro, que
avalia o desempenho de empresas há sete anos. Formado em
administração pública pela Fundação
Getúlio Vargas, ele começou como operador de mesa.
Atualmente, aos 31 anos, é responsável por dissecar
as empresas de telecomunicações para a Fator. Só
com o trabalho de Miyashiro e de mais quatro analistas é
que a gestora Roseli Machado pode definir quais papéis são
bons e, com isso, conseguir que os fundos administrados pela empresa
tenham bons retornos. Segundo um levantamento feito pela Agrif,
empresa de acompanhamento de fundos, três dos quinze fundos
com melhor desempenho nos últimos três anos estão
nas mãos da equipe da Fator. O Plural Ações
Carteira Livre, por exemplo, valorizou 146,9% no período.
O Plural Ações, 126,6%. O Plural Institucional, 117,7%.
O Ibovespa ficou em 55,6%.
Não
é pouca coisa. Uma performance como essa só é
possível com muito cuidado na hora de analisar uma empresa.
Temos de visitar as empresas, saber quanto elas vendem, os
preços praticados, a demanda pelos seus produtos, sua saúde
financeira, conta. Mais do que isso. Miyashiro precisa conhecer
também as políticas e a regulamentação
do setor e a sua situação no Brasil e no mundo. E
isso não se restringe às empresas negociadas em bolsa.
Sem uma noção do mercado como um todo, não
tenho como fazer comparações, diz. Por isso,
Miyashiro tem de entender dos concorrentes, dos fornecedores e de
tudo o que pode influenciar uma empresa.Gosto de ler sobre
tudo que está acontecendo, diz. E tudo que leio
pode interferir no meu trabalho. Outra fonte de informação
são as conversas telefônicas, reuniões e almoços
com outros analistas de mercado, os chamados analistas do sell side.
Esses são os profissionais de bancos e corretoras que vivem
de vender as suas análises, são os responsáveis
por aqueles relatórios que recomendam a compra ou venda de
determinado papel. É comum que esses analistas visitem Miyashiro
para explicar a situação de algum setor ou de uma
empresa.
Modelo
próprio. A importância do papel de Miyashiro é
justamente a de filtrar todas essas informações e
fazer as recomendações corretas. Um dos instrumentos
que ele usa são as planilhas de projeção de
resultados das empresas. É preciso desenvolver um modelo
próprio para ver se todos os dados têm consistência,
diz. Se eu fosse somar tudo o que as empresas de telecomunicações
dizem que vão crescer, o PIB brasileiro teria de crescer
três vezes o que as previsões atuais indicam.
Mas como um bom caçador de ações, ele não
se baseia apenas em números para tirar as suas conclusões.
Pergunto para as pessoas, por exemplo, se o seu telefone celular
funciona direito, ligo para os serviços de call center para
checar como é o atendimento ao consumidor. É
preciso conhecer de perto o produto ou o serviço final. Logicamente,
nem sempre a realidade corresponde às projeções.
Isso é o que mais me angustia. Às vezes, tudo
o que você faz aponta para um lado e o mercado vai para o
outro. O segredo é conseguir acertar mais do que errar.
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