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DINHEIRO DA REDAÇÃO

Lembrança da inflação?

Getúlio Vargas estava no poder. O País vivia uma espécie de estabilidade de preços – não por condições favoráveis de produção e consumo, mas por ausência de hábito da remarcação – que custou a voltar. O ano: 1939. Na semana passada, a Fipe, em São Paulo, passou a registrar uma marca histórica de inflação: 0,87%, no primeiro semestre de 2000, na capital paulista, 61 anos depois daquele primeiro número neste patamar. O 0,87% de agora também carrega significado pelo contraste com resultados razoavelmente recentes. Há menos de uma década, o então presidente Sarney, do Cruzado, transferia seu cargo legando ao País uma inflação, no mês, de 85%. É quase 100 vezes mais que a taxa em seis meses do atual momento. O fardo da carestia descontrolada caiu, sem festas, sem comemorações. Num País onde eram corriqueiras as máquinas remarcadoras, tabelas de conversão, indicadores paralelos como URV, ORTN, BTN e outros, trata-se de um feito. Ainda maior, se visto pela ótica do que acontece lá fora. No mesmo período do primeiro semestre de 2000, a inflação nos EUA foi de 1,79%. México e Inglaterra trabalhavam com a expectativa de fechar o período com taxas de 4,40% e 2,25%, respectivamente. Não há paralelo nesta nova condição do indicador brasileiro.

Certos costumes, porém, por força do hábito, não mudam. Aparecem de surpresa. Disfarçam seu poder devastador. Cinicamente são lançados sob alegação de que não vão pesar. A correção de preços públicos, como energia e combustível, e de alguns privados, remédios por exemplo. Esses setores continuam a alimentar a mania de antes. São como veneno que anestesia a capacidade de crescimento econômico, emperra o consumo, aniquila as chances de o Brasil figurar no clube dos desenvolvidos. Talvez um dia até esses setores se convertam ao novo comportamento do País.

Carlos José Marques

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O Brasil vive uma crise de energia e há riscos de apagões a partir do próximo ano. Deve haver algum tipo de compensação para empresas e consumidores que ficam no escuro? Como seria?

A carga tributária do País aumentou neste ano. O dinheiro arrecadado foi bem utilizado? Por quê?

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